COMBATE AO MOSQUITO
Campinas adota Método Wolbachia para combater dengue, zika e chikungunya
Decisão da Prefeitura, com apoio do Ministério da Saúde, visa introduzir mosquitos Aedes aegypti com bactéria Wolbachia. A soltura está prevista para maio de 2027, com impactos esperados a partir de 2028. O projeto inclui a instalação de uma biofábrica e um investimento de até R$ 22 milhões.
Campinas (SP) adotará, a partir de maio de 2027, uma nova estratégia para combater a dengue, zika e chikungunya: o Método Wolbachia. A decisão, anunciada nesta terça-feira, 07/07/2026, pela prefeitura, conta com o aval do Ministério da Saúde e visa utilizar mosquitos Aedes aegypti portadores da bactéria Wolbachia, que impede a transmissão dos vírus. A iniciativa representa um marco na saúde pública da cidade, com a expectativa de observação dos primeiros impactos positivos já em 2028, contribuindo para a dignidade e bem-estar da população. O programa se alinha a um pedido anterior do município em 2024 para inclusão na estratégia nacional, que na época não foi possível devido a limitações de produção. Campinas retoma a busca pela tecnologia em um cenário de alta incidência da doença, que já registrou uma das maiores epidemias desde 1998. A Wolbachia é uma bactéria naturalmente presente em mais de 60% dos insetos, sem riscos de transmissão para humanos ou animais. Ao ser introduzida no Aedes aegypti, ela atua impedindo a replicação viral no organismo do mosquito. Dessa forma, mesmo que o inseto pique uma pessoa, ele se torna incapaz de transmitir doenças como dengue, zika e chikungunya. Esse processo, conhecido como substituição populacional, ocorre quando mosquitos com Wolbachia são liberados e se reproduzem com os mosquitos selvagens, transmitindo a bactéria para as novas gerações e gradualmente transformando a população local em portadora de mosquitos não transmissores. Adicionalmente, a bactéria pode interferir na capacidade reprodutiva dos mosquitos. Cruzamentos entre machos com Wolbachia e fêmeas sem a bactéria resultam em ovos que não eclodem. Já os cruzamentos em que um dos parceiros possui a bactéria, ou ambos, garantem que os filhotes herdem a Wolbachia, acelerando a disseminação do método. A previsão é que a soltura dos insetos modificados ocorra ao longo de 26 semanas, iniciando em maio de 2027. Para viabilizar o projeto, Campinas prevê a instalação de uma biofábrica para a produção dos mosquitos, a contratação de 59 agentes de controle ambiental e dois biólogos, além da locação de 14 veículos e aquisição de equipamentos. O investimento total estimado é de R$ 20 a R$ 22 milhões, com R$ 7 milhões provenientes do Ministério da Saúde e o restante financiado pelo orçamento municipal. A empresa Wolbitos será responsável pelo suporte técnico, treinamento de equipes, ações de conscientização e fornecimento dos ovos com Wolbachia. A eficácia do método, que tem como meta atingir 60% da população de Aedes aegypti local com a bactéria, será monitorada pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz). Espera-se que a estratégia se consolide como uma ferramenta permanente no enfrentamento das arboviroses, complementando outras medidas de saúde pública.
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