DECISÃO ELEITORAL

Campanha de Lula limita uso de Inteligência Artificial nas eleições de 2026

Presidente Luiz Inácio Lula da Silva discursando.
Presidente Luiz Inácio Lula da Silva em evento público.

PT opta por restringir peças totalmente criadas por IA e focar na autenticidade do presidente. Medida visa estratégia de contraposição e evitar contestações judiciais.

A campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) decidiu limitar o uso de Inteligência Artificial (IA) nas eleições de 2026. A resolução do partido considera as novas regras da Justiça Eleitoral sobre a tecnologia e se configura como uma estratégia de posicionamento, visando uma contraposição direta ao senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ).

Dirigentes do PT (Partido dos Trabalhadores) informaram que a ferramenta continuará sendo empregada para aprimorar conteúdos, mas a veiculação de peças de campanha inteiramente produzidas por IA será evitada, especialmente aquelas que apresentarem o presidente Lula.

A diretriz de redes sociais busca reforçar a imagem de Lula como uma "pessoa de verdade". A avaliação interna é que a autenticidade do presidente representará um contraponto eficaz às peças recentes de Flávio Bolsonaro, como a montagem que exibia Neymar em um avião militar, criada com IA.

A iniciativa também tem o objetivo de prevenir contestações de conteúdos da campanha de Lula na Justiça Eleitoral. Paralelamente, o próprio PT intensifica suas ações no TSE (Tribunal Superior Eleitoral) contra o uso de IA para a criação de supostos "deepfakes" e montagens com fins de ataques pessoais.

A decisão de restringir a aplicação da IA teria sido influenciada diretamente pelo presidente Lula. Em maio, durante um discurso na Bahia, ele expressou publicamente sua crítica ao emprego da tecnologia em campanhas eleitorais.

"Se a gente quiser, a gente pode fazer o Lula artificial fazer comício em 27 estados no mesmo dia e no mesmo horário. Eu estou lá, mas não estou. Confesso a vocês: um cidadão que aprendeu a ter caráter com a dona Lindu não aceitará Inteligência Artificial para fazer campanha política", declarou o presidente.

Recentemente, o presidente do TSE, Kássio Nunes Marques, estabeleceu uma comissão permanente encarregada de discutir e monitorar o uso da IA. O grupo terá a missão de propor medidas para combater a desinformação e elaborar um plano que oriente a aplicação da tecnologia tanto em atividades administrativas quanto em processos judiciais.

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