PL DE GOVERNO TRAVADO

Câmara trava análise de pauta-bomba após aprovação no Senado

Imagem ilustrativa de uma votação na Câmara dos Deputados.
Votação do fim da escala 6x1 na Câmara.

Projeto que refinancia dívidas rurais, com potencial custo de R$ 140 bilhões em 10 anos, precisa retornar à Câmara após mudanças no Senado.

O avanço do projeto de lei (PL) que trata do fim da escala 6x1, enviado pelo governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), está travando a análise de outras propostas de alto impacto fiscal na Câmara. A iniciativa, que visa o refinanciamento de dívidas rurais, foi aprovada na noite de quarta-feira, 11/06/2026, no Senado Federal e, se sancionada, poderá gerar um custo de R$ 140 bilhões em uma década. A urgência constitucional da matéria impede, por ora, o andamento imediato de outras pautas consideradas sensíveis.

A decisão da Câmara de priorizar o PL das jornadas de trabalho, com impacto direto na dignidade e bem-estar dos trabalhadores ao regulamentar suas horas de labor, gerou apreensão nos bastidores. O ministro das Relações Institucionais, José Guimarães, buscou o presidente da Casa, Hugo Motta (Republicanos-PB), em uma tentativa de conter o avanço da proposta de refinanciamento de dívidas rurais, como relatado por Igor Gadelha na coluna de Metrópoles. O texto original, enviado pelo governo, sofreu alterações no Senado e, por isso, precisa retornar aos deputados para nova apreciação.

A proposta autoriza o uso de recursos do Fundo Social do pré-sal e outras receitas da União para renegociar débitos de produtores rurais afetados por eventos climáticos ou crises geopolíticas. O projeto, relatado pelo senador Renan Calheiros (MDB-AL), beneficia produtores e cooperativas que registraram perdas significativas em duas safras entre 2019 e 2025, resultando em queda de 30% na renda bruta. Cada beneficiário individual poderá receber até R$ 10 milhões, e para grupos, o montante pode atingir R$ 50 milhões. O prazo de pagamento estende-se por até 13 anos, com dois de carência, podendo chegar a 15 em situações excepcionais, com taxas de juros entre 3,5% e 7,5%.

Este entrave parlamentar ocorre em meio a desgastes entre o governo Lula e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP). Apesar de uma reunião entre o ministro da Fazenda, Dario Durigan, e Alcolumbre na véspera da votação, buscando conter pautas de alto impacto fiscal, o presidente do Senado manteve a matéria em pauta. A aprovação de outras duas propostas com potencial impacto fiscal em comissões da Casa Alta, como reajustes para dentistas e médicos e aposentadorias especiais para agentes comunitários, intensificou a tensão. A ameaça do governo de recorrer ao Supremo Tribunal Federal (STF) gerou irritação entre senadores, que consideram a medida desproporcional e prejudicial à relação institucional.

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