JORNADA DIGNA

Câmara inicia debate crucial sobre fim da escala 6x1

Câmara inicia debate crucial sobre fim da escala 6x1

Ministro do Trabalho, Luiz Marinho, participa de audiência em 06 de maio de 2026. Proposta visa redução da jornada sem perdas salariais.

A comissão especial da Câmara dos Deputados iniciou, nesta quarta-feira, 06 de maio de 2026, uma série de audiências públicas cruciais para debater a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que propõe o fim da escala 6x1 e a consequente redução da jornada de trabalho. A primeira sessão recebeu o ministro do Trabalho, Luiz Marinho, marcando o início da discussão sobre os critérios e impactos da medida que promete transformar a vida de milhões de trabalhadores brasileiros, ao mesmo tempo em que gera intenso debate entre setores produtivos.

A iniciativa da comissão, cujo primeiro encontro ocorreu nesta terça-feira, 05 de maio de 2026, visa aprofundar a análise da PEC por meio de um plano de trabalho que inclui a escuta de ministros, representantes sindicais e setores produtivos. O objetivo é afinar o texto final da proposta, buscando um equilíbrio entre a melhoria das condições de trabalho e a sustentabilidade econômica.

Em nota, o Ministério do Trabalho confirmou a participação de Luiz Marinho, que defendeu o Projeto de Lei do governo, já enviado ao Congresso Nacional em regime de urgência. A proposta governamental alinha-se à visão do ministro, que, desde o início do mandato de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), argumenta que "já havia passado da hora" de discutir a redução da jornada de trabalho, reforçando essa posição em reunião da Comissão de Direitos Humanos do Senado em 2023.

Além de Marinho, a audiência pública desta quarta-feira contou com importantes vozes. Estiveram presentes Vinícius Carvalho Pinheiro, Diretor do Escritório da OIT (Organização Internacional do Trabalho); Teresa Cristina D’Almeida Basteiro, vice-procuradora geral do Ministério Público do Trabalho; e Hugo Cavalcanti Melo Filho, Juiz do Trabalho e ex-presidente da Anamatra (Associação Nacional dos Magistrados da Justiça do Trabalho). A pluralidade de opiniões busca enriquecer o debate e garantir uma análise abrangente dos efeitos da mudança.

A comissão também planeja ouvir outros ministros, como Dario Durigan (Fazenda), Guilherme Boulos (Secretaria-Geral) e Márcia Lopes (Mulheres). Há um requerimento para convidar o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, para elucidar sobre a "inflação, endividamento das famílias e os impactos macroeconômicos" que a redução da jornada poderia gerar, evidenciando a complexidade e a abrangência da discussão.

O início dos trabalhos no colegiado evidenciou a polarização do tema. Representantes de centrais sindicais mobilizaram-se na entrada da Câmara, defendendo o fim da escala 6x1 com faixas, gritos de ordem e panfletos. Sua presença nos corredores da Casa Baixa reforçou a demanda por mais qualidade de vida e dignidade para os trabalhadores, traduzida na redução da jornada.

Do outro lado, uma comitiva de empresários de São Paulo, liderada pela Fecomercio-SP (Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo), chegou a Brasília nesta terça-feira, 05 de maio de 2026, com o objetivo de barrar a aprovação da proposta que reduz a jornada de 44 para 40 horas semanais. Os empresários planejam encontros com deputados de diversos partidos do Congresso e com o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), buscando alertar sobre os possíveis impactos negativos na produtividade e nos custos.

O cronograma da comissão, apresentado pelo relator deputado Leo Prates (Republicanos-BA), prevê intensos debates, com ao menos duas sessões semanais na Câmara e uma em unidades da federação, incluindo Paraíba, Minas Gerais e São Paulo. Leo Prates propôs apresentar seu parecer em 20 de maio de 2026, com a votação do texto no colegiado especial prevista para 26 de maio de 2026, após o prazo de vista.

A cúpula da Câmara, sob a liderança de seu presidente, Hugo Motta, tem a intenção de votar a proposta até a última semana de maio de 2026 e levá-la ao plenário em 27 de maio de 2026. A meta de Hugo Motta é concluir a votação em dois turnos antes de junho de 2026. Apesar da confiança no cumprimento do cronograma, Hugo Motta admitiu que ainda não alinhou a tramitação com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), indicando que o processo legislativo ainda tem etapas importantes a cumprir.

A comissão analisará duas propostas em conjunto: uma de 2019, do deputado Reginaldo Lopes (PT-MG), e outra de 2025, da deputada Erika Hilton (PSOL-SP). Ambas convergem na redução da jornada sem perdas salariais. A CCJ (Comissão de Constituição e Justiça) aprovou as propostas em 22 de abril de 2026, abrindo caminho para o avanço do tema. Agora, o colegiado especial debate o mérito, incluindo a necessidade de um período de transição e incentivos para o setor produtivo, buscando mitigar os impactos. Leo Prates indicou que a PEC de Reginaldo Lopes servirá como "norte" para os debates, com a intenção de propor alternativas que suavizem os efeitos para os empregadores.

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