REVIRAVOLTA NO CONGRESSO
Câmara dos Representantes dos EUA aprova ajuda à Ucrânia e sanções à Rússia, contrariando Donald Trump
Mais de uma dezena de republicanos votou com democratas em pacote bilionário para a Ucrânia e em sanções contra a Rússia, enviando um recado à liderança do partido.
A Câmara dos Representantes dos Estados Unidos aprovou, nesta sexta-feira, 05/06/2026, um pacote de ajuda bilionária à Ucrânia e a imposição de sanções rigorosas contra a Rússia. A decisão, que contrariou a orientação da liderança republicana e a posição expressa pelo ex-presidente Donald Trump, representa um marco na política externa americana em relação ao conflito. A medida foi aprovada por 226 votos a 195, com o apoio de 18 parlamentares republicanos e um deputado independente que frequentemente vota com o partido, em um claro desafio à sua própria bancada. O presidente da Câmara, Mike Johnson, havia sinalizado em reuniões internas que o partido deveria votar contra o projeto, argumentando a necessidade de dar espaço para que Trump negociasse com a Rússia. No entanto, a força do coletivo em defesa da Ucrânia prevaleceu, interpretada por analistas como uma repreensão à postura atual de Trump sobre a guerra. Parlamentares buscaram, com o voto, enviar uma mensagem à liderança do Partido Republicano, que tem demonstrado um distanciamento do apoio histórico a Kiev. O Partido Republicano encontra-se dividido quanto ao envolvimento dos Estados Unidos no conflito, com uma parcela significativa defendendo a não destinação de mais recursos à Ucrânia. Para que a proposta chegasse ao plenário, foi necessária uma mobilização contra a liderança republicana. Deputados como Kevin Kiley (Califórnia) e Brian Fitzpatrick (parceiro de Greg Meeks, de Nova York, e copresidente da Bancada da Ucrânia no Congresso) foram cruciais ao coletarem as 218 assinaturas necessárias para a "discharge petition", um mecanismo que permite forçar a votação de projetos sem o aval da liderança. O pacote aprovado detalha sanções contra líderes e instituições russas, abrangendo grandes bancos e empresas dos setores de petróleo e mineração. Prevê também tarifas de 500% sobre produtos russos importados pelos Estados Unidos e a proibição da importação de petróleo bruto russo. No âmbito militar, a proposta amplia o apoio à Ucrânia, autorizando US$ 8 bilhões em vendas de armamentos e estendendo um programa de empréstimo e arrendamento militar que vigorava desde o governo Biden. A política externa de Trump, que nos últimos meses tem se concentrado primordialmente no Irã, tem sido questionada em meio à intensificação do conflito entre Ucrânia e Rússia e à pouca participação americana. A promessa de Trump de encerrar rapidamente a guerra, caso assuma o cargo em janeiro de 2025, já enfrenta ceticismo, especialmente após sua recente decisão de flexibilizar restrições ao petróleo russo, medida que gerou descontentamento até mesmo dentro de seu partido, enquanto muitos republicanos preferem focar em questões internas como o custo de vida nos Estados Unidos. Analistas preveem que a aprovação no Senado ainda é incerta, pois o apoio necessário para avançar com a proposta, um limite de 60 votos, pode não ser alcançado. Caso o projeto seja aprovado pelo Senado, será a primeira grande iniciativa legislativa relacionada à guerra desde a lei suplementar de financiamento de 2024, ainda sob a presidência de Joe Biden. Nos anos anteriores, o Congresso tem aprovado ajuda à Ucrânia, mas frequentemente com resistência da Casa Branca.
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