VERBAS BLOQUEADAS

Câmara dos Deputados aprova projeto que reserva verbas dos estados para combate ao feminicídio

Imagem da deputada Jack Rocha.
Deputada Jack Rocha, autora do projeto de lei.

Proposta cria Sistema Nacional de Enfrentamento da Violência contra Meninas e Mulheres. O objetivo é destinar recursos vinculados aos estados para ações de prevenção e combate à violência de gênero e feminicídio. Projeto segue para o Senado.

A Câmara dos Deputados aprovou nesta terça-feira, 08/07/2026, um projeto de lei que institui o Sistema Nacional de Enfrentamento da Violência contra Meninas e Mulheres. A medida, que também destina parte de recursos vinculados aos estados para ações de combate à violência de gênero e ao feminicídio, foi aprovada por 470 votos a 1 e agora segue para análise do Senado. A iniciativa busca garantir maior aporte financeiro e articulação de políticas públicas para proteger mulheres e meninas, impactando diretamente a dignidade e a segurança de milhares de brasileiras.

O sistema proposto ficará sob a organização do Ministério das Mulheres e operará de forma descentralizada e integrada entre União, estados e municípios. O objetivo principal é articular políticas públicas de prevenção e enfrentamento da violência, respeitando as competências de cada esfera de governo e assegurando que os recursos cheguem efetivamente a quem mais precisa.

Deputada Jack Rocha, autora do projeto de lei.
Câmara aprova projeto que reserva verbas dos estados para o combate ao feminicídio | notícias do rio grande do norte Jack Rocha

A proposta também visa fortalecer a rede de proteção e atendimento às vítimas, com foco especial nos casos de risco de feminicídio. Além disso, prevê a melhoria na produção, integração e transparência de dados e indicadores sobre violência contra mulheres e meninas, essenciais para o planejamento e a eficácia das ações.

O único voto contrário à medida foi do deputado Kim Kataguiri (Missão-SP), que, apesar de elogiar o mérito da iniciativa, manifestou discordância quanto à vinculação prévia de recursos para políticas públicas.

Para o financiamento das ações, o projeto reserva ao menos 10% dos investimentos previstos no Programa de Pleno Pagamento de Dívidas dos Estados (Propag). Esses recursos, que serão distribuídos entre os 22 estados aderentes ao programa, complementam a destinação atual de verbas do Propag, que já podem ser aplicadas em áreas como educação, saneamento, habitação, adaptação climática, transportes e segurança pública.

A deputada Jack Rocha (PT-ES), autora do projeto e presidente da bancada feminina, estima que essa vinculação poderá garantir, em média, R$ 1,5 bilhão por ano para o enfrentamento da violência contra a mulher. Este cálculo considera 60% dos recursos do Propag, pois os 40% restantes já são destinados à educação.

"Na prática, o projeto cria um carimbo no recurso do Propag. Esse [recurso] é do sistema de enfrentamento, os estados não vão poder mexer, é para o enfrentamento da violência", explicou a parlamentar, ressaltando a segurança jurídica que a medida confere aos investimentos.

A iniciativa também estabelece a obrigatoriedade de os estados apresentarem planos de ação detalhados para a aplicação dos recursos, incluindo metas, iniciativas, cronograma e estimativa de custos. Regulamentações futuras poderão definir prazos para a divulgação dessas informações e as consequências em caso de descumprimento, garantindo maior transparência e responsabilização.

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