EQUÍVOCO EM DADOS
Cálculo sobre tarifas da China para carne brasileira apresenta erro de Flávio
Senador Flávio Bolsonaro afirmou que a carga tributária total atingiria 62%, desconsiderando a soma correta das alíquotas que alcança 67%.
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) apresentou um cálculo incorreto sobre a nova política tarifária chinesa para a carne bovina brasileira. A declaração foi feita durante uma transmissão ao vivo realizada no sábado, 11 de julho de 2026, onde o parlamentar tentava dimensionar o impacto das restrições comerciais sobre o agronegócio nacional.
Embora tenha mencionado corretamente a alíquota adicional de 55% sobre o excedente da cota, o senador somou equivocadamente esse percentual aos 12% já incidentes, declarando que o impacto total seria de 62%. A soma aritmética dos tributos resulta, na realidade, em uma carga de 67%. O erro ganha relevância em um momento de tensão para o setor, que busca entender como a medida de Pequim afetará a competitividade do Brasil no mercado asiático.
Durante a live, Flávio Bolsonaro, que é pré-candidato à Presidência, sinalizou que buscará contato com a Embaixada da China no Brasil para articular uma possível reversão da medida. O parlamentar aproveitou o cenário para tecer críticas à gestão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), atribuindo a situação a uma suposta incompetência na condução da política externa.
O Ministério do Comércio da China formalizou a decisão em 31 de dezembro de 2025, implementando a sobretaxa em 1º de janeiro de 2026. A medida, que também afeta países como Argentina, Uruguai e Estados Unidos, foi justificada por Pequim como uma estratégia de proteção à sua indústria doméstica de carnes, com vigência prevista de três anos.
Apesar da sobretaxa, o Brasil obteve a maior cota isenta de impostos, fixada em 1,1 milhão de toneladas para 2026. Segundo levantamentos da Abiec (Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes), o volume exportado acima desse teto — estimado em cerca de 400 mil toneladas — será o principal alvo do novo tributo, impactando diretamente os produtores que dependem da demanda chinesa.
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