FRUTO DO SEMIÁRIDO
Cajucultura potiguar se prepara para expansão com foco em valor agregado e mercados internacionais
A atividade, presente no Rio Grande do Norte desde os anos 70, demonstra resiliência e rentabilidade, com dados recentes apontando para um crescimento expressivo e potencial de exportação em ascensão.
A cajucultura potiguar está em um momento crucial de expansão, com decisões estratégicas voltadas para o aumento do valor agregado e a conquista de novos mercados. A atividade, que se consolidou no Rio Grande do Norte desde os anos 70 durante o governo de Cortez Pereira, deve sua longevidade e força à notável adaptação do cajueiro às condições do semiárido nordestino. Essa resiliência foi evidenciada durante a seca severa de 2012 a 2017, quando os pomares de cajueiro-anão resistiram enquanto outras culturas sofreram perdas significativas. A Embrapa destaca, ainda, o potencial de integração da cajucultura com a produção de forragem animal, o que pode ampliar a renda dos produtores e melhorar a qualidade do solo.
Além de sua robustez natural, o cajueiro apresenta grande atratividade econômica. A castanha é processada para gerar amêndoas beneficiadas, enquanto o pedúnculo é matéria-prima para sucos, polpas, cajuína e caju de mesa. Estudos da Revista Econômica do Nordeste (BNB) indicam que a exploração conjunta desses produtos oferece rentabilidade superior a diversas alternativas no mercado financeiro e no setor agropecuário regional.
Os resultados positivos são visíveis em Serra do Mel, conhecida como a Capital da Castanha. O município, com aproximadamente 13 mil hectares cultivados, registrou em 2023 um PIB per capita de R$ 52,3 mil, um dos mais elevados do Rio Grande do Norte, conforme dados do IBGE. A atividade fomenta agroindústrias, gera empregos e fortalece o cooperativismo, demonstrando o impacto socioeconômico da cajucultura.
O Rio Grande do Norte tem reconhecido a vocação para a cajucultura há mais tempo que muitos outros estados. Apresentados pela Embrapa na Expofruit 2025, dados revelam que o RN foi o estado com maior crescimento na cajucultura brasileira entre 2020 e 2024. A produtividade potiguar também se destaca: em 2023, o estado alcançou 550 quilos de amêndoa por hectare, superando a média nordestina de 290 quilos.
Apesar do desempenho promissor, a castanha potiguar ainda ocupa um espaço modesto na pauta exportadora do estado. No entanto, o mercado internacional apresenta um potencial de crescimento considerável. Em 2025, o Vietnã, maior exportador mundial de amêndoas beneficiadas, registrou exportações superiores a US$ 5 bilhões, sinalizando a força desse mercado global.
Para capitalizar esse potencial, o Sebrae-RN expande seu Projeto de Revitalização da Cajucultura. Com o apoio de clones desenvolvidos pela Embrapa, o projeto atenderá, em 2026, 800 produtores em mais de 4.000 hectares de pomares revitalizados em Ceará Mirim, Apodi e Mossoró. A iniciativa combina mudas aprimoradas, assistência técnica, gestão e acesso facilitado a mercados, visando a profissionalização e o aumento da escala produtiva.
A castanha de Serra do Mel já obteve a Indicação Geográfica do INPI, reforçando sua identidade e valor no mercado. Paralelamente, um projeto-piloto de agricultura regenerativa está em andamento no município. Os próximos passos envolvem o desafio de agregar valor, aprimorar o beneficiamento e desenvolver novos produtos derivados da castanha e do pedúnculo.
Com o território preparado, um produto com demanda de mercado e produtores potiguares demonstrando crescente capacidade, o salto de qualidade e competitividade da cajucultura no Rio Grande do Norte parece estar ao alcance, impulsionando o desenvolvimento regional e fortalecendo a economia do semiárido.
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