UNIÃO NA DIREITA
Caiado e Zema buscam união na centro-direita para eleição de 2026
Ex-governadores de Goiás e Minas Gerais articulam estratégia para evitar fragmentação e fortalecer candidaturas ao pleito de 2026.
O ex-governador de Goiás, Ronaldo Caiado (PSD), revelou nesta quarta-feira, 28/05/2026, que está articulando com o ex-governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), esforços para consolidar a unidade da centro-direita nas eleições de 2026. A iniciativa visa evitar divisões internas que possam prejudicar o campo político e enfraquecer candidaturas no pleito vindouro. A declaração ocorreu em Cuiabá, durante um evento voltado para o setor do agronegócio, um dia após um encontro estratégico entre os dois líderes em São Paulo, focado em alinhar suas posições eleitorais. A informação foi divulgada pela Folha de São Paulo.
Segundo Caiado, as conversas priorizam uma "convivência pacífica" entre os pré-candidatos do mesmo espectro político, descartando a possibilidade de disputas internas acirradas. "De maneira alguma nós iremos cair na tese da cizânia, da separação", afirmou, ressaltando que o objetivo principal é garantir que os representantes da centro-direita cheguem ao segundo turno de forma unificada, sem conflitos que possam minar sua força. A estratégia busca assegurar que as bases eleitorais permaneçam coesas, independentemente das candidaturas que venham a ser definidas.
O encontro com Zema foi classificado por Caiado como um movimento de coordenação política, sem que houvesse, naquele momento, a definição de uma chapa conjunta. Aliados de ambos os políticos avaliam que decisões concretas sobre a composição de candidaturas devem ser tomadas mais próximo ao prazo de registro oficial, previsto para agosto.
Ronaldo Caiado reconheceu que seu reconhecimento junto a uma parcela significativa do eleitorado ainda é um desafio. Ele aposta na participação em debates televisivos como ferramenta fundamental para ampliar sua visibilidade em nível nacional. "Hoje, uma parte significativa da população ainda não me conhece", admitiu, indicando que a exposição na mídia televisiva tem potencial para alterar esse cenário de desconhecimento.
Ao ser questionado sobre a família Bolsonaro, o pré-candidato do PSD defendeu sua própria trajetória política de 40 anos, sem envolvimento em escândalos. "Nunca fui envolvido em denúncia de corrupção, de negociata, de rachadinhas", declarou, em uma alusão indireta a Flávio Bolsonaro (PL), que enfrentou denúncias na Justiça em 2020 relacionadas a práticas ilícitas. Caiado busca se dissociar de polêmicas que atingem outros nomes da direita.
Em relação ao ex-presidente Jair Bolsonaro, Caiado adotou uma postura de cautela, reconhecendo o capital político do antigo mandatário. "Goste ou não, ele é um homem que vai pra rua e tem prestígio", ponderou. Ele defende que desgastes individuais de figuras políticas não devem resultar na dispersão das bases da centro-direita, que precisam se manter unidas em torno de um projeto comum.
Romeu Zema, por sua vez, enfrentou críticas de setores bolsonaristas após classificar como "imperdoável" a ligação de Flávio Bolsonaro com o banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master. Esse episódio, que veio a público há duas semanas, gerou uma tensão considerável entre campos políticos que agora buscam uma reaproximação estratégica.
Caiado reiterou que a prioridade neste momento é preservar a coesão do campo político e evitar o "esgarçamento" do tecido da centro-direita. "Se cada um tem um problema, ele que se explique. Isso não pode gerar discórdia ou dispersão entre as nossas bases", concluiu, reforçando a necessidade de unidade e foco nos objetivos eleitorais de 2026.
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