POUPANÇA VOLTA A ATRAIR

Caderneta de poupança registra captação líquida positiva pela 1ª vez em 2026

Fachada do Banco Central do Brasil em Brasília
Banco Central, em Brasília (DF). Foto: Michel Jesus/Agência O Globo

Em maio, depósitos superaram saques em R$ 2,6 bilhões. O saldo total atingiu R$ 1,014 trilhão, mas a competição com a renda fixa permanece.

A caderneta de poupança registrou um marco importante em maio de 2026: pela primeira vez no ano, os depósitos superaram as retiradas, resultando em uma captação líquida positiva de R$ 2,6 bilhões. A decisão, monitorada pelo Banco Central, sinaliza uma mudança no comportamento dos investidores, interrompendo uma sequência de quatro meses de saídas líquidas. A relevância deste dado reside na indicação de uma possível retomada de confiança na modalidade, apesar de seu desempenho acumulado no ano ainda ser negativo em R$ 39,1 bilhões.

Os números oficiais divulgados nesta terça-feira, 09/06/2026, revelam que os brasileiros depositaram R$ 368,4 bilhões e sacaram R$ 365,8 bilhões durante o mês. Essa diferença de R$ 2,603 bilhões injetou otimismo na aplicação tradicional. Ao final de maio, o montante total aplicado na poupança alcançou R$ 1,014 trilhão. Além da entrada líquida, os rendimentos creditados aos poupadores somaram R$ 6,18 bilhões no mesmo período, demonstrando que a aplicação ainda gera ganhos.

O resultado de maio contrasta fortemente com os meses anteriores. Em abril, por exemplo, a poupança sofreu uma retirada líquida de R$ 476,4 milhões. O fluxo positivo agora pode indicar uma busca por segurança ou uma estratégia de reserva financeira para emergências e projetos futuros por parte da população, que vê na poupança uma aplicação acessível e de baixo risco.

A maior parte dos recursos, R$ 760,7 bilhões, permanece alocada no SBPE (Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo), com captação líquida positiva de R$ 2,3 bilhões em maio, reforçando seu papel no financiamento imobiliário. A poupança rural também contribuiu positivamente, com R$ 308,5 milhões em entradas líquidas e um saldo de R$ 253,7 bilhões.

Apesar do resultado positivo, especialistas alertam que a caderneta de poupança ainda enfrenta forte concorrência. Aplicações de renda fixa, impulsionadas pelas atuais taxas de juros, continuam a atrair investidores que buscam maior rentabilidade. A decisão de onde aplicar os recursos financeiros impacta diretamente o planejamento pessoal e a construção de patrimônio de milhões de brasileiros.

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