GESTÃO E PRODUTIVIDADE

Burocracia financeira consome 97 milhões de horas semanais das PMEs no Brasil

Escritório com documentos e computador representando a burocracia nas PMEs.
O uso de métodos manuais, como cadernos, ainda é uma realidade para 39% das empresas brasileiras.

Estudo da Conta Simples e Visa revela que rotinas manuais afastam empreendedores da estratégia. Adoção de IA e Capacitação são caminhos apontados para otimizar o tempo.

A estrutura administrativa de milhares de pequenas empresas no Brasil revela um gargalo que compromete o desenvolvimento econômico nacional. Levantamento realizado pela Conta Simples em parceria com a Visa, divulgado em 12/07/2026, aponta que as PMEs dedicam 21 horas semanais a tarefas burocráticas, como controle de despesas e pagamentos, um esforço que impacta diretamente a longevidade dos negócios.

Ao considerar o universo de 4,5 milhões de empresas formais, o país acumula um desperdício de 97 milhões de horas por semana em processos operacionais. Este tempo, que deixa de ser aplicado em vendas e inovação, reflete a dependência de métodos arcaicos. Segundo o relatório, 39% das MPMEs ainda utilizam recursos manuais, como planilhas desestruturadas e cadernos, para gerir o fluxo de caixa.

Para Rodrigo Tognini, CEO da Conta Simples, o cenário de fragmentação gera retrabalho constante. Ele enfatiza que a transição tecnológica é inevitável para a sobrevivência corporativa. Com o uso de agentes de IA, a expectativa é que tarefas repetitivas sejam automatizadas, permitindo que o empreendedor concentre esforços em análises estratégicas de maior valor.

O desafio da digitalização, entretanto, enfrenta a barreira do acúmulo de funções. Em pequenos negócios, o dono é frequentemente responsável por todas as áreas, relegando a gestão financeira ao segundo plano por falta de tempo. Esta cultura de operação diária sobrecarregada torna a organização administrativa um obstáculo invisível ao crescimento.

Além da tecnologia, o setor aposta na educação como pilar fundamental. Vanessa Soki, líder de Capacitação do Fundo de Impacto Estímulo, reforça que a democratização do conhecimento exige formatos de ensino adaptados à rotina exaustiva do empresário. Para ela, conteúdos objetivos e conectados com os problemas práticos do dia a dia são os que geram maior engajamento.

A combinação de novas plataformas de gestão e a qualificação constante configura-se como a principal saída para o cenário atual. Em um ambiente competitivo, a automação deixa de ser uma escolha técnica e passa a ser uma necessidade vital para garantir a sustentabilidade das PMEs brasileiras.

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