PERIGO EM CASA

Bronquiolite: Coriza de bebê pode evoluir para UTI, alertam médicos e pais

Gestante recebendo vacina contra VSR.
Vacina disponível no SUS é aplicada em gestantes para proteger bebês de doenças respiratórias graves

Vírus Sincicial Respiratório (VSR) causa bronquiolite, que afeta 1/3 das internações infantis em hospital de São Paulo. Vacinação de gestantes no SUS mostra resultados expressivos na redução de casos graves.

Uma coriza leve que parece um resfriado comum pode, em um piscar de olhos, evoluir para dificuldade de respirar e internação em UTI. Este é o cenário alarmante enfrentado por muitas famílias quando bebês desenvolvem bronquiolite, uma inflamação das vias aéreas inferiores causada pelo Vírus Sincicial Respiratório (VSR). A doença é uma das principais causas de morte em crianças com até 2 anos, tanto no Brasil quanto globalmente, e seus sintomas podem se agravar rapidamente, em menos de 24 horas, alertam médicos.

Casos graves de bronquiolite podem levar à pneumonia e à necessidade de suporte respiratório intensivo. No Hospital Infantil Menino Jesus, em São Paulo, o VSR é responsável por um terço das internações de bebês e por cerca de 40% das crianças em unidades de terapia intensiva (UTI). Relatos como o de Thainá, mãe de Antonella, de 4 meses, ilustram o drama: "Ela não ficou nem um dia no pronto-socorro e já subiu pra UTI", contou, sobre a rápida deterioração do quadro da filha, que começou com sintomas gripais.

A angústia foi dupla para o pai das gêmeas Ísis e Íris, que contraíram bronquiolite simultaneamente. Uma delas precisou de cuidados intensivos, e o pai confessou o desespero: "Eu pensei que ia perder elas". Esses testemunhos reforçam o impacto devastador da doença na dignidade e no bem-estar das famílias.

O VSR ataca os bronquíolos, pequenas estruturas pulmonares essenciais para a passagem do ar. A resposta inflamatória do organismo à infecção pode levar ao acúmulo de células mortas e secreções, bloqueando o fluxo de oxigênio. Embora não exista uma cura específica para a bronquiolite, o tratamento foca no alívio dos sintomas, incluindo hidratação, administração de oxigênio e suporte respiratório em casos mais sérios.

Uma estratégia de proteção crucial para a saúde infantil foi implementada pelo Sistema Único de Saúde (SUS) em dezembro. Desde então, gestantes entre a 28ª e a 36ª semana de gravidez podem receber gratuitamente uma vacina contra o VSR, garantindo que a proteção seja transmitida ao bebê ainda na gestação. Segundo o Ministério da Saúde, mais de 1 milhão de grávidas já foram imunizadas.

Os resultados dessa iniciativa são notáveis: dados preliminares apontam uma queda de 52% nas internações por VSR nos primeiros meses do ano em comparação com o mesmo período de 2023, e as mortes registraram uma redução de 63%. Enquanto a vacina particular pode custar até R$ 2 mil, o SUS também oferece o nirsevimabe, um anticorpo de ação imediata, para bebês com até 2 anos que apresentem doenças cardíacas ou pulmonares e cujas mães não foram vacinadas. Especialistas preveem uma diminuição ainda mais acentuada das internações nos próximos anos com a expansão da vacinação, um avanço significativo na defesa da saúde infantil.

Foto: Reprodução/TV Globo

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