PIX EM JOGO

Brasileiro se inscreve em audiência pública para defender PIX contra tarifa dos EUA

Ilustração sobre a investigação dos EUA contra o PIX.
Governo Trump conclui que Pix é 'injusto': por que sistema brasileiro incomoda tanto os EUA e o que pode acontecer com ele agora? — Foto: Marcello Casal Jr/Agência Brasil

Professor da FGV busca apresentar argumentos técnicos na disputa comercial entre Brasil e Estados Unidos, com inscrições abertas até 22 de junho.

Um professor brasileiro se inscreveu para participar de uma audiência pública que pode influenciar a disputa comercial entre Brasil e Estados Unidos. Gustavo Pessoa, especialista em Economia da Fundação Getulio Vargas (FGV) e pesquisador de riscos financeiros, busca apresentar argumentos técnicos sobre o PIX, sistema de pagamentos instantâneos do Banco Central (BC).

A audiência, agendada para 6 de julho de 2026, precede a decisão final do governo americano sobre potenciais medidas comerciais. Empresas, associações e governos interessados têm a oportunidade de apresentar seus posicionamentos sobre temas que incluem desmatamento ilegal, pirataria, falhas em leis anticorrupção e o papel do PIX na investigação.

As inscrições para manifestação no processo seguem abertas até 22 de junho de 2026. As contribuições enviadas serão oficialmente incorporadas ao processo e podem moldar os desdobramentos da investigação.

Pessoa decidiu participar por acreditar que o debate sobre o PIX transcendeu a discussão sobre um meio de pagamento, passando a envolver a infraestrutura do sistema financeiro nacional. Ele enfatiza a necessidade de explicações técnicas e a abertura para diferentes perspectivas no processo.

"É importante que aparecesse alguém de forma independente para tentar explicar isso de uma forma um pouco melhor e até apontar uma forma de resolver a questão no campo técnico", afirmou o economista.

Em entrevista ao G1, Pessoa detalha os questionamentos dos EUA sobre o PIX, discute a atuação do Banco Central como regulador e operador, e defende que transparência e diálogo institucional podem ser mais eficazes do que medidas comerciais generalizadas.

O economista destacou que o PIX, responsável por mais de 54% das transações no Brasil e movimentando cerca de R$ 25 trilhões anualmente, transcendeu seu papel inicial de meio de pagamento, tornando-se uma infraestrutura crítica com potencial risco sistêmico. Ele também apontou uma possível questão de conflito de interesses, onde o Banco Central atua simultaneamente como regulador e provedor do serviço.

Pessoa propõe a criação de um "teste de neutralidade para pagamentos digitais", avaliando acesso igualitário para todas as empresas, interoperabilidade, transparência nas regras, proteção de dados e integridade das transações, similarmente ao que é exigido de outras operadoras.

Ele argumenta que medidas regulatórias específicas, com clareza sobre o compromisso do BC com transparência, integração e não discriminação, seriam mais eficazes do que tarifas amplas. A criação de um fórum de comunicação claro entre Banco Central, Ministério da Fazenda e Departamento de Comércio dos EUA é vista como crucial.

A atenção dos EUA ao PIX, em detrimento de sistemas como o UPI da Índia, é atribuída por Pessoa a semelhanças geopolíticas e geoestratégicas com o mercado americano, e ao sucesso e liderança do Brasil na América Latina. A análise técnica e a substância apresentada em canais oficiais são consideradas essenciais, mesmo diante de um processo que pode parecer inerte.

Ilustração sobre a investigação dos EUA contra o PIX.
Governo Trump conclui que Pix é 'injusto': por que sistema brasileiro incomoda tanto os EUA e o que pode acontecer com ele agora? — Foto: Marcello Casal Jr/Agência Brasil

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