DIPLOMACIA E TENSÃO

Brasil recusa convite para conferência de Donald Trump sobre extrema esquerda

Foto colorida do ministro brasileiro Mauro Vieira ao lado do secretário Marco Rubio.
O ministro Mauro Vieira e o secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio.

O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, não comparecerá ao evento liderado por Marco Rubio nesta quinta-feira, 16/07/2026.

O governo brasileiro decidiu não participar de uma conferência organizada pelos Estados Unidos sobre o combate ao que a gestão de Donald Trump denomina “terrorismo político” de grupos de extrema esquerda. A ausência do Brasil no evento, marcado para esta quinta-feira, 16/07/2026, ocorre em um cenário de desgaste nas relações bilaterais e tensões ideológicas crescentes.

O encontro é liderado pelo secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio. Segundo fontes ligadas ao Itamaraty, o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, declinou do convite devido a compromissos previamente agendados em território nacional, mantendo assim o distanciamento da pauta proposta por Washington.

A recusa reflete o momento sensível entre as duas nações. A administração Donald Trump tem adotado uma postura incisiva contra o governo Lula, marcada por sanções tarifárias e críticas abertas de Marco Rubio, que já classificou o Brasil fora da lista de parceiros amigáveis na América Latina. O clima de desconfiança é amplificado pelo temor de autoridades brasileiras de que a influência de aliados de Jair Bolsonaro nos EUA possa resultar em interferências externas nos processos políticos internos do Brasil.

A conferência, que reúne representantes de mais de 65 países, busca articular uma frente internacional contra ações que Washington classifica como ameaças à estabilidade de sistemas políticos e econômicos. O Departamento de Estado defende a criação de protocolos para interromper o financiamento de grupos que, na visão da gestão atual dos EUA, operam sob motivação ideológica para desestabilizar governos.

A diplomacia brasileira mantém cautela diante do convite, especialmente após episódios recentes como a classificação, pela gestão Donald Trump, de facções como o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas. A medida é interpretada em Brasília como um precedente perigoso, que poderia, em tese, abrir margem para intervenções sob a justificativa de segurança hemisférica.

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