AVANÇO BILATERAL

Brasil negocia tarifas com EUA e avança em combate ao crime transnacional

Representação gráfica de bombas de combustível em um posto.
Imagem de bomba de combustível em posto.

Ministro da Indústria, Márcio Elias Rosa, indica progresso na cooperação contra crimes transnacionais, mas mantém foco em tarifas e exclui etanol das discussões.

O Brasil identificou uma abertura dos Estados Unidos para ampliar a cooperação bilateral no combate ao crime transnacional, afirmou nesta terça-feira, 07/07/2026, o ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa. A declaração ocorreu em meio às negociações para evitar a aplicação de novas tarifas sobre produtos brasileiros. Após uma nova rodada de reuniões técnicas com representantes do USTR (Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos), o ministro Márcio Elias Rosa avaliou que houve avanços em um tema estratégico para o governo. "Nós tratamos de um pedido que o presidente Lula tem feito de cooperação integrada de combate ao crime transnacional. Há reconhecimento de que é possível avançar nesse ponto", disse o ministro. A expectativa é de que uma nova reunião técnica e um encontro político com o representante comercial dos Estados Unidos, Jamieson Greer, ocorram ainda nesta semana. Esses encontros precedem o encerramento da consulta pública que antecede a decisão sobre as tarifas. No entanto, Márcio Elias Rosa reforçou que o governo pretende manter as negociações estritamente focadas na questão tarifária. "A principal orientação do presidente é que não sairemos da mesa e também não deixaremos que outros temas sejam discutidos", declarou o ministro. Etanol excluído das negociações O ministro também reiterou a defesa para que o etanol permaneça fora das negociações comerciais entre os dois países. Segundo ele, discutir apenas a tarifa do biocombustível ignora a relação entre as cadeias produtivas de etanol e açúcar, além dos impactos para a indústria nacional. "O governo vem defendendo que o etanol não seja tratado nessa discussão. É uma pena que outras pessoas pensem diferente para que o etanol americano possa entrar no mercado brasileiro com facilidade", afirmou Rosa. Ele destacou a importância estratégica do setor, especialmente para o Nordeste, e lembrou que o açúcar brasileiro enfrenta fortes barreiras, com sobretaxa de quase 100% nos Estados Unidos. "Nosso açúcar tem sobretaxa nos Estados Unidos de quase 100%. Não dá para dissociar as duas cadeias", pontuou. Diante do prazo apertado para um acordo, o ministro Márcio Elias Rosa afirmou que o governo concentrará esforços nos pontos com maior possibilidade de avanço. "O prazo é curto. Temos que focar no que pode dar resultado positivo", declarou. Setor produtivo apoia a posição Representantes da União da Indústria de Cana-de-Açúcar e Bioenergia, da União Nacional do Etanol de Milho e da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil endossaram a posição defendida pelo governo brasileiro durante audiência pública promovida pelo USTR. As entidades argumentaram que a queda nas importações de etanol americano se deve à expansão da produção nacional de etanol de milho, reduzindo a necessidade de compras externas. Na avaliação do setor, Brasil e Estados Unidos, como maiores produtores mundiais de etanol, deveriam priorizar a expansão do mercado internacional de biocombustíveis, em vez de intensificar disputas comerciais bilaterais. A investigação do USTR, baseada na Seção 301 da Lei de Comércio dos Estados Unidos, apura práticas comerciais consideradas desleais. A Seção 301 permite ao governo americano investigar e aplicar medidas como sobretaxas sobre produtos importados. No caso brasileiro, a investigação abrange políticas de comércio digital, propriedade intelectual e compras governamentais, entre outros temas. Uma consulta pública está em andamento antes da decisão final.

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