SPACE: PASSO GIGANTE

Brasil faz história com primeiro foguete de propulsão líquida; veja imagens

Imagem histórica de um foguete lançado por Robert H. Goddard.
Foguete Goddard, pioneiro na propulsão líquida, inspira o Brasil a cem anos de seu voo.

Lançamento do FTL-Perseu, em Virgínia (MG), valida motor ARION e impulsiona o país a um seleto grupo de nações com tecnologia avançada para o setor espacial. Decisão estratégica ocorre em marco histórico da exploração espacial.

Um marco para a soberania aeroespacial brasileira foi alcançado neste sábado, 4 de julho de 2026, com o anúncio da bem-sucedida Missão Trem Baum. Naquela data, 29 de maio, o país realizou o inédito lançamento de um foguete movido exclusivamente por propulsão líquida desde a decolagem. O FTL-Perseu, desenvolvimento integral da BIZU Space, decolou em Virgínia (MG), consolidando o avanço tecnológico nacional. O principal objetivo da operação, que aconteceu em 29 de maio, foi validar o motor-foguete ARION. Esta tecnologia é considerada um pilar estratégico para futuras explorações espaciais brasileiras. A iniciativa, batizada de "Missão Trem Baum" em referência à rica cultura mineira, assinala a ascensão do Brasil a um grupo exclusivo de países com domínio sobre essa tecnologia de ponta. Ao contrário dos motores de propulsão sólida, comuns em foguetes de treinamento e sondagem, os motores líquidos conferem maior controle sobre o empuxo durante a trajetória de voo. Essa capacidade é fundamental para lançadores que visam colocar satélites em órbita e executar manobras de alta precisão. Com aproximadamente 4,5 metros de extensão e um peso de cerca de 70 quilos quando abastecido, o FTL-Perseu utilizou querosene de aviação (Jet-A) como combustível e peróxido de hidrogênio concentrado (HTP) como oxidante. A combinação de combustíveis adotada pela BIZU Space dispensa o uso de propelentes criogênicos, que demandam temperaturas extremamente baixas para o armazenamento. Além disso, a decomposição do oxidante gera, predominantemente, água e oxigênio, minimizando os impactos ambientais. Embora o projeto do FTL-Perseu preveja que ele alcance até dez mil metros de altitude em sua configuração padrão, o voo inaugural foi conduzido com uma carga reduzida de propelente. Essa estratégia é uma prática comum em fases de desenvolvimento, pois permite a validação de sistemas e a mitigação de riscos nas operações iniciais. Após o voo, o veículo foi recuperado com sucesso, utilizando um sistema de paraquedas e rastreamento. Atualmente, o foguete encontra-se na sede da BIZU Space, em São José dos Campos (SP), onde passará por análises técnicas detalhadas e poderá ser reaproveitado em futuras campanhas de testes. Curiosamente, o lançamento coincide com um momento de celebração na história da exploração espacial. Em 2026, completam-se cem anos do voo do Nell, o primeiro foguete movido a propelentes líquidos da história, uma façanha do físico norte-americano Robert H. Goddard. As pesquisas brasileiras em propulsão líquida tiveram início na década de 1990, com estudos do IAE (Instituto de Aeronáutica e Espaço). Um marco anterior foi a Operação Raposa, em 2014, que registrou o primeiro voo de um motor líquido utilizado como carga útil em um foguete de propulsão sólida. O desenvolvimento do FTL-Perseu iniciou-se em 2025, com a colaboração de instituições renomadas como CENIC, UNIVAP, ITA (Instituto Tecnológico de Aeronáutica) e OBA (Olimpíada Brasileira de Astronomia). Segundo a BIZU Space, o êxito da missão representa um avanço significativo na capacidade tecnológica do Brasil. Abre-se, assim, um novo horizonte para o desenvolvimento de veículos lançadores mais complexos e para a ampliação da autonomia nacional no acesso ao espaço.

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