ACORDO DE DEFESA
Brasil e Suécia negociam produção de novos caças Gripen em solo nacional
Em 04 de junho de 2026, Brasil e Suécia assinaram acordo de intenções para potencial compra de 20 caças Gripen E e F, com fabricação prevista no país sul-americano. Decisão visa fortalecer a indústria aeronáutica nacional e a soberania.
Nesta quinta-feira, 04 de junho de 2026, Brasil e Suécia firmaram um acordo de intenções que abre caminho para a potencial aquisição de 20 novas aeronaves de combate Gripen E e F pela Força Aérea Brasileira (FAB). A decisão, anunciada em Estocolmo pelo ministro da Defesa sueco, Pal Jonson, e seu homólogo brasileiro, José Mucio, prevê a fabricação desses modernos caças em território nacional, um passo significativo para o fortalecimento da indústria aeronáutica brasileira e para a autonomia do país na defesa.
O acordo aprofunda a cooperação bilateral iniciada em 2014, quando 36 caças Gripen foram adquiridos por US$ 4,5 bilhões (cerca de R$ 23 bilhões atuais), com as primeiras entregas já em andamento e previsão de conclusão até 2027. Naquela ocasião, o Gripen se destacou frente a concorrentes como o F-18 Super Hornet, da Boeing, e o Rafale, da Dassault Aviation SA, em um processo que chegou a ser alvo de investigações e suspenso no Supremo Tribunal Federal (STF), mas que hoje consolida a tecnologia sueca no Brasil.

A nova fase de cooperação firmada nesta quinta-feira contempla a transferência de tecnologia para a produção dos caças no Brasil, com foco no mercado da América Latina. Essa iniciativa se alinha à recente inauguração, em 2023, pela Embraer e Saab, da primeira linha de produção da aeronave no país, localizada em Gavião Peixoto (SP). Já em março deste ano, foi apresentado o primeiro caça Gripen produzido em solo nacional, evento celebrado pelo presidente Lula como um marco na redução da dependência externa e afirmação da soberania tecnológica brasileira.
A produção nacional dos caças Gripen não apenas reforça a capacidade de defesa do Brasil, mas também impulsiona o desenvolvimento tecnológico, gera aproximadamente 13 mil empregos – sendo 2.200 diretos e 10.800 indiretos – e amplia oportunidades econômicas. A iniciativa é complementada pelo estabelecimento de um centro de inovação dedicado ao aprimoramento contínuo dos sistemas e equipamentos das aeronaves, consolidando o Brasil como um polo estratégico na indústria aeroespacial de defesa.
Apesar do anúncio promissor, o valor exato da nova operação ainda não foi divulgado pelo ministro Pal Jonson, que ressaltou a necessidade de futuras discussões entre Brasil e Saab. Essa decisão surge em um contexto de reajustes orçamentários no Ministério da Defesa, que enfrenta cortes significativos. Contudo, a perspectiva é de que as novas aeronaves aprimorem o treinamento de pilotos e mecânicos, além de estarem prontas para atuar em diversas operações aéreas, garantindo a proteção do espaço aéreo brasileiro.
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