CINEMA BRASILEIRO CELEBRA
Brasil domina Prêmios Platinos com "O Agente Secreto" e "Apocalipse"
Filmes "O Agente Secreto" e "Apocalipse nos Trópicos" conquistam reconhecimento internacional na 13ª edição da premiação ibero-americana, em Cáncun, México, na noite de sábado, 9 de maio de 2026. "O Agente Secreto" soma oito troféus, incluindo Melhor Filme.
O cinema brasileiro celebra um momento de glória e resistência, com os filmes "O Agente Secreto" e "Apocalipse nos Trópicos" brilhando na 13ª edição dos Prêmios Platinos. Na noite de sábado, 9 de maio de 2026, em Cáncun, México, "O Agente Secreto" conquistou quatro novas estatuetas, somando oito prêmios ao total, incluindo Melhor Filme, Roteiro, Diretor e Ator. A consagração do audiovisual nacional reforça a potência das narrativas em um mundo de desinformação, como destacou o diretor Kleber Mendonça.
"Apocalipse nos Trópicos", dirigido por Petra Costa, também foi consagrado, vencendo a categoria de Melhor Documentário na mais importante premiação do cinema ibero-americano, que celebra séries e filmes da América Latina, Portugal e Espanha.
Nessa mesma noite de sábado, o filme de Kleber Mendonça consolidou sua vitória com os prêmios de Melhor Filme, Roteiro, Diretor e Ator. Esta edição marcou a primeira vez que um brasileiro leva o troféu de Melhor Ator. No ano anterior, em 2025, Fernanda Torres havia sido eleita Melhor Atriz por sua interpretação como Eunice Paiva em "Ainda Estou Aqui" – o grande vencedor da premiação naquela ocasião. As quatro novas estatuetas somam-se a outros quatro Prêmios Platinos que "O Agente Secreto" já havia recebido previamente.
Na trama de "O Agente Secreto", Wagner Moura interpreta Armando, um professor universitário perseguido pela ditadura militar, que se vê forçado a fugir de São Paulo para Recife e adotar uma nova identidade. Ambientado na década de 1970, o filme imerge o público na rica cultura pernambucana, incorporando elementos como a lenda da perna cabeluda e a sonoridade marcante da Banda de Pífanos de Caruaru. A direção de arte e a trilha sonora são partes intrínsecas da narrativa, enriquecendo a imersão na época.
Ao subir ao palco para receber a estatueta prateada, o diretor Kleber Mendonça expressou a importância de contar histórias em um cenário global de desinformação. "É um momento onde a verdade está sendo discutida e manipulada", afirmou. Ele completou: "De fato, é um momento de mentiras no mundo, mas o cinema é um poderoso instrumento para narrativas cheias de poesia, de aventuras fantásticas, drama humano, histórias de amor e afeto, com verdade e honestidade."
O ator Wagner Moura, que estava em uma produção na Espanha e não pôde comparecer ao evento, teve seu discurso de agradecimento lido por Mendonça. "Amo os Prêmios Platino, ver nossa cinematografia celebrada, encontrar amigos, descobrir talentos, filmes, artistas, trabalhadores do cinema falado em português e espanhol (…). Amo cada vez que percebo o Brasil integrado a uma cultura abrangente", declarou o ator brasileiro, que dedicou o prêmio a Mendonça, confirmando o convite para seu próximo filme. Há poucos dias, Moura, já vencedor do Globo de Ouro, havia sido eleito Melhor Ator pelo júri popular do Platino, consagrando o artista que este ano disputou o Oscar.
"O Agente Secreto" já havia recebido três estatuetas em anúncios prévios, reconhecendo a excelência em Direção de Arte (Thales Junqueira), Música (os irmãos Tomaz e Mateus Alves) e Montagem (Eduardo Serrano e Matheus Farias), completando o total de oito Prêmios Platinos.
Na categoria de Melhor Documentário, "Apocalipse nos Trópicos" de Petra Costa superou produções do Paraguai e da Espanha. O longa-metragem oferece um olhar crítico sobre o governo de Jair Bolsonaro, retratando a tentativa frustrada de golpe de Estado em 2023 e explorando a influência crescente da fé evangélica na política brasileira.
Ao receber a estatueta, Brunno Pacini, produtor e pesquisador do documentário, ressaltou a capacidade dos documentários de "transformar o trauma em memória e a memória em movimento", estendendo seus agradecimentos a todos os envolvidos no projeto.
Entre as séries, a produção brasileira "Beleza Fatal" também foi premiada como Melhor Série de Longa Duração. A diretora Maria de Médicis, ao receber o troféu, prestou homenagem ao diretor de TV Dennis Carvalho, falecido há poucos meses, e celebrou a novela como um gênero de referência no audiovisual de toda a América Latina. "Viva a novela, viva o Brasil", comemorou.
Nesta edição do Platino, o Brasil teve sete produções indicadas, concorrendo em 36 categorias com cerca de 100 obras de toda a Ibero-América.
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