NEGOCIAÇÕES COMERCIAIS CRUCIAIS

Brasil defende Pix e negocia tarifas com os EUA em meio a tensões comerciais

Ministro Márcio Elias Rosa em reunião com o chefe do USTR, Jamieson Greer.
Ministro do MDIC, Márcio Elias Rosa, reuniu-se com o chefe do USTR, Jamieson Greer, para discutir a ameaça de tarifas.

O governo brasileiro reafirmou que o sistema de pagamentos Pix é inegociável em conversas com representantes dos Estados Unidos sobre a ameaça de novas tarifas. Medidas para evitar o "tarifaço" e a disputa política envolvendo pré-candidatos à presidência marcam a semana.

Em meio a ameaças de novas tarifas de 25% sobre produtos brasileiros impostas pelo governo dos Estados Unidos, o governo federal busca evitar um "tarifaço" por meio de intensas negociações com representantes comerciais americanos. As conversas, que ocorrem nesta sexta-feira, 03/07/2026, focam na investigação conduzida pelos EUA sob a "Seção 301", que analisa a atuação econômica do Brasil, incluindo taxas de comércio internacional e o funcionamento do Pix. O Brasil, contudo, reforçou que o sistema de pagamentos instantâneos é um ponto inegociável. Na quinta-feira, 2 de julho de 2026, o ministro do MDIC, Márcio Elias Rosa, reuniu-se com o chefe do USTR, Jamieson Greer. Durante o encontro, Rosa rejeitou categoricamente qualquer possibilidade de negociação envolvendo o Pix, que tem sido um dos focos da investigação norte-americana. O ministro apresentou um plano com medidas que o Brasil pode adotar em resposta às demandas da Seção 301, excluindo o Pix. As ações propostas visam atender aos demais pontos da investigação: tarifas preferenciais desleais, acesso ao mercado de etanol, proteção da propriedade intelectual, combate à corrupção e desmatamento ilegal. Como principal proposta de negociação, o Brasil sinalizou a redução de tarifas aplicadas aos Estados Unidos em aproximadamente 300 tipos de transações comerciais. Outras alternativas incluem medidas infralegais em processo de formulação interna e projetos de lei em tramitação no Congresso Nacional. Esta foi a quarta reunião entre Márcio Elias e Jamieson Greer. Alinhado às diretrizes da OMC, o Brasil explicou que não pode reduzir tarifas unilateralmente para um único país. A estratégia adotada é oferecer a redução de taxas a diversos países, focando em setores onde os americanos têm maior competitividade e que não prejudiquem a indústria nacional. Com a reafirmação de que o Pix não será incluído nas discussões, as negociações bilaterais devem prosseguir. Uma nova rodada de encontros entre membros das áreas econômicas de ambos os governos está prevista para a próxima semana. Espera-se que o ministro do MDIC e o chefe do USTR voltem a se reunir antes de 15 de julho, data limite para a decisão dos EUA sobre a recomendação de novas tarifas ao Brasil. Disputa Política Paralelamente às negociações econômicas, a ameaça de tarifas e possíveis sanções comerciais tem gerado um embate político entre os principais pré-candidatos à Presidência: Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL). O presidente Lula criticou duramente a família Bolsonaro nesta quinta-feira, após o senador Flávio Bolsonaro ter enviado uma carta aos Estados Unidos solicitando a suspensão das tarifas. Em suas redes sociais, Lula declarou que "o Brasil não está à venda" e classificou o pedido de adiamento das tarifas para depois das eleições como "uma traição à pátria". Ele publicou no X (antigo Twitter): "Pedir que o tarifaço contra o nosso país seja adiado para depois das eleições é mais uma atitude de traidores da Pátria. Nunca houve e não há qualquer justificativa para tarifaço agora ou depois. Nossa Pátria não está à venda. Nossa soberania é inegociável. O Brasil é dos brasileiros." Posteriormente, ainda na quinta-feira, o senador Flávio Bolsonaro respondeu às declarações de Lula via X, afirmando que "o único que quer o tarifaço contra produtos brasileiros" é o atual chefe do Executivo. Flávio Bolsonaro criticou a "falsa narrativa de defesa da soberania" atribuída a Lula. "Provocou, esbravejou, não negociou e fez lobby a favor do PCC e do Comando Vermelho para que não fossem classificados como terroristas. Envergonhou o Brasil perante o mundo! Ignorou o sofrimento de mais de 50 milhões de brasileiros que moram em áreas dominadas por esses narcoterroristas", publicou Flávio Bolsonaro, em referência a declarações anteriores de Lula.

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