DEFESA NACIONAL EM EXPANSÃO

Brasil considera comprar nova frota de caças suecos Gripen, diz ministro da Defesa

Um caça Gripen F azul e branco da Força Aérea Brasileira (FAB) em exibição.
Cerimônia de entrega do primeiro caça Gripen F à FAB na Suécia.

O ministro José Múcio revelou que o Brasil negocia nova aquisição de caças Gripen e articula centro de tecnologia da Saab em São José dos Campos (SP). O país já tem 36 aeronaves em contrato e busca fortalecer a indústria aeroespacial nacional.

O Brasil estuda a possibilidade de fechar um novo acordo para adquirir uma frota adicional de caças Gripen, aeronaves de fabricação sueca. A informação foi divulgada pelo ministro da Defesa, José Múcio, que participou da cerimônia de entrega do primeiro caça Gripen F à Força Aérea Brasileira (FAB), em Linköping, na Suécia. A decisão, anunciada nesta quinta-feira, 04/06/2026, sinaliza um interesse contínuo em fortalecer a capacidade aeroespacial do país e expandir os laços com a Suécia, o que importa para o desenvolvimento tecnológico e a soberania nacional.

Atualmente, a FAB já opera sob um contrato firmado em 2014 com a Saab, empresa responsável pelo desenvolvimento do caça, que prevê a entrega de 36 aeronaves até 2032. Deste total, 28 são da série E (monoposto) e oito da série F (biposto).

Paralelamente à negociação por uma nova frota, o Ministério da Defesa está articulando a criação de um centro de tecnologia e desenvolvimento industrial de inteligência artificial da Saab em São José dos Campos, no estado de São Paulo. Essa iniciativa visa impulsionar a inovação e gerar novas oportunidades de negócio em território brasileiro, agregando valor à parceria já existente.

“Estamos aqui para isso [negociar nova frota]. Estamos tentando levar um centro de tecnologia da Saab para o Brasil, em São José dos Campos. Isso é muito importante. Vamos lançar sementes para o desenvolvimento de tecnologia da Saab no Brasil”, afirmou o ministro.

A colaboração entre a Saab e o Brasil inclui um acordo que permite o compartilhamento de informações e tecnologia de defesa sueca com a Embraer. Em março deste ano, a empresa brasileira apresentou o primeiro caça Gripen E produzido integralmente em solo nacional. Com o lançamento do Gripen F nesta terça-feira (2), José Múcio avalia que o Brasil terá capacidade de produzir este novo modelo da aeronave sueca futuramente em território nacional.

“Serão mais divisas para o Brasil. Não tenho dúvidas de que surgirão novas oportunidades de negócio para todo o continente americano”, declarou o ministro, ressaltando o impacto econômico e estratégico da produção local.

O orçamento do Ministério da Defesa prevê R$ 2,1 bilhões para o projeto de aquisição dos caças F-X2 (F-39 Gripen). Desse montante, R$ 1,357 bilhão já estavam contemplados na Lei Orçamentária Anual de 2026, e outros R$ 739,5 milhões estão previstos na portaria n° 184 de maio de 2026 do Ministério do Planejamento e Orçamento. Esses recursos apoiarão a entrega de duas aeronaves em 2026 e o avanço das etapas de montagem para as unidades com entregas programadas para os anos seguintes.

O Brasil investirá, até 2032, uma média de 2,26 bilhões de coroas suecas (equivalente a R$ 1,2 bilhão) anualmente na aquisição de Gripen da Saab. Até o momento, já foram desembolsados 28,27 bilhões de coroas suecas (R$ 15,3 bilhões).

Treinamento e Parceria com a Embraer

O Gripen F, modelo biposto com espaço para piloto e copiloto, é frequentemente utilizado para treinamento, e o Brasil é o primeiro cliente da Saab a ter essa série em sua frota. O Gripen E, por outro lado, é monoposto e destinado a combate. As versões apresentam diferenças de tamanho, com o modelo biposto medindo 15,9 metros de comprimento e 8,6 metros de largura. A Saab destaca que o Gripen F incorpora sensores avançados, permitindo que instrutores guiem missões em aeronaves totalmente operacionais, replicando a intensidade do combate real, algo que a simulação não consegue oferecer integralmente.

“É mais um avião. É um grande avião. Nós estamos agregando tecnologia. Os nossos pilotos serão treinados, não mais de forma simulada. Eles terão operação no próprio avião”, explicou Múcio.

A troca de informações entre Brasil e Suécia envolveu um extenso programa de treinamento com centenas de especialistas brasileiros. Engenheiros, técnicos, operadores de montagem e manutenção passaram por treinamentos teóricos e práticos, incluindo ensaios em voo, produção e manutenção do Gripen. Engenheiros brasileiros da Embraer, AEL Sistemas e Akaer participaram ativamente do desenvolvimento do Gripen F em todas as suas fases, desde o projeto estrutural até a integração aviônica.

A fabricação em série do F-39 Gripen pela Embraer, com a montagem final de 15 das 36 aeronaves adquiridas pela FAB realizada na planta de Gavião Peixoto (SP), torna o Brasil o único país a produzir a aeronave fora da Suécia. Empresas nacionais como AEL Sistemas e Atech também contribuem com a produção de sistemas aviônicos, estruturas e componentes estratégicos para a Saab. O programa de transferência de tecnologia abrange treinamento teórico, programas de pesquisa e tecnologia, treinamento on-the-job na Suécia, e desenvolvimento e produção local.

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