DEBATE NECESSÁRIO
Boulos confronta Flávio Bolsonaro sobre feminicídio
Ministro questiona dados do senador em meio a recorde de casos no Brasil em 2025; aumento de 41% em São Paulo.
O ministro da Secretaria Geral da Presidência, Guilherme Boulos (Psol-SP), criticou nesta quarta-feira, 06 de maio de 2026, o senador e pré-candidato à Presidência, Flávio Bolsonaro (PL), por suas declarações sobre a violência contra mulheres no governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A manifestação de Boulos, feita em meio ao aumento recorde de feminicídios no país, busca desqualificar a narrativa de Bolsonaro, que classificou a gestão de Lula como a "mais violenta da história para mulheres", levantando um debate crucial sobre a segurança e dignidade feminina que será central nas eleições de 2026.
Flávio Bolsonaro afirmou que o governo Lula "é o mais violento da história para mulheres". Contudo, Guilherme Boulos questionou a legitimidade do senador para abordar o tema. Segundo o ministro, o maior aumento na taxa de feminicídio foi visto durante o governo de Jair Bolsonaro (PL), pai do pré-candidato.
"Flávio Bolsonaro querendo dar lição sobre feminicídio?", declarou Boulos. "A turma que sempre atacou as mulheres agora quer pagar de civilizada. Hipocrisia tem limite!".
Em sua crítica, Boulos citou ainda o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos-SP). O ministro apontou que, sob a gestão do aliado de Flávio Bolsonaro, crimes de feminicídio tiveram um aumento alarmante de 41% em São Paulo. Este dado compara o 1º trimestre de 2026 e 2025, período em que o registro de casos bateu recorde no Estado.
O Brasil, por sua vez, registrou um recorde sombrio de feminicídios em 2025. Dados do Ministério da Justiça e Segurança Pública revelam que 1.470 mulheres foram assassinadas por razões de gênero, representando uma média trágica de 4 vítimas por dia em todo o país. Este número ultrapassa o total de 1.464 casos contabilizados em 2024, evidenciando uma tendência preocupante. Acompanhando a última década, o avanço desses casos mostra um crescimento de cerca de 175% entre 2015, ano da tipificação do crime, e 2025. A persistência dessa violência afeta profundamente a dignidade e a segurança de milhares de brasileiras.
Eleitorado feminino em foco
A aproximação do eleitorado feminino é uma estratégia-chave para as campanhas eleitorais de Luiz Inácio Lula da Silva e Flávio Bolsonaro, ambos almejando a vitória na disputa pelo Planalto em 2026. O desafio reside no fato de que ambos apresentam taxas de rejeição quase idênticas entre as mulheres.
As eleições de 2026 prometem um recorde de eleitoras. Dados de março do Tribunal Superior Eleitoral mostram que as votantes habilitadas do sexo feminino representam 52,8% do total, com 82,8 milhões de mulheres aptas a votar, contra 73,9 milhões de homens.
Nos últimos meses, o presidente Lula tem feito apelos aos "homens que prestam" para combaterem a violência contra as mulheres. O presidente impulsionou a iniciativa da primeira-dama, Janja Lula da Silva, para um Pacto Nacional Contra o Feminicídio, buscando unir propostas dos Três Poderes. Além disso, endureceu as regras em um novo pacote de medidas para combater a violência contra a mulher.
Flávio Bolsonaro, por sua vez, carrega o peso de seu sobrenome como principal obstáculo junto a esse eleitorado. Quando ainda era deputado, Jair Bolsonaro declarou que não estupraria a deputada Maria do Rosário (PT) porque ela "não merecia", frase que lhe rendeu uma condenação por danos morais. Durante seu governo, Bolsonaro nomeou apenas 2 mulheres entre 22 ministros, reforçando a percepção de um distanciamento de pautas femininas.
Uma pesquisa da AtlasIntel, divulgada em fevereiro, revelou a extensão dessa preocupação: 54% das mulheres sentem medo ou apreensão com a eleição do senador, enquanto 38,4% manifestaram o mesmo sentimento em relação a Lula.
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