MÃES HEROÍNAS RN
Bombeiras do RN: a dupla jornada de salvar vidas e educar filhos
Mães militares do Corpo de Bombeiros Militar do Rio Grande do Norte equilibram quartel e lar, salvando vidas e criando filhos com resiliência e amor.
Mulheres do Corpo de Bombeiros Militar do Rio Grande do Norte (CBMRN) desafiam as barreiras da rotina para conciliar a paixão pela farda e a dedicação à maternidade. Soldados como Mayara Rachel e a aspirante Ana Heloisy compartilham, nesta sexta-feira, 08 de maio de 2026, suas histórias de coragem e afeto incondicional. Elas ilustram como a exigente missão de salvar vidas e a responsabilidade de criar filhos moldam suas trajetórias com uma impressionante mistura de resiliência e humanidade. A rotina no quartel, que alterna entre serviços administrativos e plantões operacionais de combate a incêndio e salvamento, ganha um novo significado quando se une ao compromisso diário com a família.
Mayara Rachel: a força que transcende o quartel e o lar
Entre essas guerreiras está a soldado Mayara Rachel. Aos 37 anos, Mayara ingressou na corporação há quatro anos, antes mesmo de vivenciar a maternidade. Hoje, com um sorriso no rosto, ela expressa orgulho em ser mãe de Maya, sua "princesa linda" de 1 ano e 8 meses.
A rotina da soldado Mayara é marcada por uma intensidade e significado ímpares. "Como mãe, meu compromisso diário envolve cuidar, educar, orientar e estar plenamente presente na vida da minha filha", detalha. "Na minha atuação profissional, enfrento situações de urgência e emergência, prestando auxílio a indivíduos que, em muitos casos, atravessam os momentos mais críticos de suas existências."
Essa dualidade, segundo Mayara, exige profundo equilíbrio emocional, responsabilidade e, acima de tudo, humanização. "Em um instante, estou acolhendo minha filha; no outro, cuido de vítimas desconhecidas que clamam por atenção imediata. São papéis distintos, mas ambos impulsionados pela solicitude e pelo dever com a vida", afirma. A conciliação dessas funções não é simples para ela, demandando organização, o suporte da família e muita resiliência. A militar reconhece momentos de fadiga, de ausência e de desafios emocionais, sobretudo ao lidar com cenários delicados na profissão. "Não vejo minha rotina como tranquila, mas sim como realizável. Com dedicação, planejamento e a paixão pelo que faço, consigo cumprir minhas responsabilidades. Cada obstáculo superado fortalece minha capacidade de avançar", enfatiza.
No entanto, Mayara compartilha a essência de sua motivação, algo que, talvez, apenas mães compreendam em sua plenitude: "O carinho pela minha filha é o que me sustenta, dia após dia. É minha fundação, minha maior fortaleza e bravura. Já a dedicação à minha profissão conecta-se diretamente ao desígnio de resgatar vidas e apoiar o próximo, buscando ser mais humana em cada intervenção realizada". Ela destaca que esses dois sentimentos são intensos e se complementam. Mesmo frente às adversidades, eles a impelem a seguir adiante. "Afirmo que essa afeição, tanto pela minha família quanto pela farda, transcende qualquer situação, pois é ela que confere significado a tudo o que realizo".
Aspirante Ana Heloisy: apoio materno durante o curso de formação
A aspirante Ana Heloisy, atualmente no Curso de Formação de Praças do CBMRN, também compartilha suas experiências como mãe e futura militar. Casada e mãe de um menino de 1 ano e 7 meses, ela revela ter engravidado durante o desafiador Curso de Formação de Oficiais (CFO).
Para Ana Heloisy, conciliar a carreira de Bombeira Militar com as responsabilidades da maternidade é igualmente desafiador, especialmente por estar em um curso de formação de rotina intensa e imprevisível, repleto de estudos, trabalhos e atividades que exigem grande vigor físico. "Quando retorno ao lar, meu filho percebe meu cansaço, seja físico ou mental. Mesmo assim, faço um esforço para lhe dedicar a atenção que merece. Felizmente, conto com o imprescindível apoio da minha mãe, que o cuida durante minhas ausências. Sem ela, não sei se conseguiria", confessa.
Para a aspirante, a paixão pela profissão deriva do valor intrínseco que ela atribui à vida humana, especialmente àqueles que já foram socorridos e tiveram suas existências resgatadas pelo Corpo de Bombeiros. Como mãe, ela enfatiza que o amor por seu filho é incondicional. "É maior do que tudo o que já vivenciei, um sentimento que eu nem imaginava ser possível experimentar. Supera qualquer estresse e fadiga", expressa.
Durante sua formação militar, Heloisy revela que, ao se deparar com uma vítima, um questionamento recorrente surge: "Será que essa pessoa tem filhos?". Essa indagação a motiva ainda mais a prestar o melhor atendimento, impulsionada pela empatia de se colocar no lugar do outro. "Penso que a vítima precisa se recuperar o mais rápido possível para retornar aos cuidados de seu filho. Esse sentimento aflorou em mim após a maternidade. Simultaneamente, tenho a clareza de que também preciso estar bem para desempenhar meu papel", conclui.
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