ÉTICA E TRANSPARÊNCIA

Bolsonaro Filho: "Nada a oferecer" por filme do pai

Flávio Bolsonaro falando em um estúdio de TV, com o logo da CNN Brasil ao fundo.
Flávio Bolsonaro em entrevista, abordando o financiamento do filme sobre Jair Bolsonaro.

Declaração à CNN Brasil em 15 de maio de 2026 confronta valores da negociação com Banco Master.

O senador Flávio Bolsonaro, pré-candidato à Presidência da República pelo PL, lançou uma declaração que ecoou no cenário político nacional, afirmando à CNN Brasil, nesta sexta-feira, 15 de maio de 2026, que não teria "nada para oferecer [para Vorcaro] como senador" em troca de patrocínio. A fala se insere em um contexto de controvérsia sobre a busca por financiamento para uma cinebiografia de seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, e joga luz sobre as complexas relações entre política e dinheiro, suscitando debates cruciais sobre ética e transparência na esfera pública.

O filho do ex-presidente detalhou o encontro com o banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. Ele relatou que o fundo de Vorcaro investiu US$ 12 milhões no filme "Dark Horse", que aborda a trajetória de Jair Bolsonaro. "Dezembro de 2024, [Jair] Bolsonaro não era presidente. Eu não tenho nenhuma relação com Vorcaro. Sou da oposição. Vorcaro me ajudaria para ajudar ele com coisa do governo?", questionou o senador durante a entrevista. Essa argumentação busca desvincular a ajuda financeira de qualquer potencial influência ou benefício governamental.

Flávio Bolsonaro confirmou, na última quarta-feira, 13 de maio de 2026, ter solicitado recursos ao empresário para a produção cinematográfica. Em nota divulgada, o político classificou a iniciativa como um "filho procurando patrocínio". Ele reforçou que conheceu Vorcaro em dezembro de 2024, após o término do governo Bolsonaro e antes que surgissem "acusações nem suspeitas públicas sobre o banqueiro".

Contrariando a versão inicial, uma reportagem do Intercept Brasil, veiculada também na quarta-feira, revelou áudios e mensagens. O material indicava que o senador teria negociado diretamente US$ 24 milhões, aproximadamente R$ 134 milhões, com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro para viabilizar o filme sobre o ex-presidente. Essa divergência de valores e o teor das negociações intensificam o escrutínio público sobre a conduta do senador e a origem do financiamento.

Diante das revelações, Flávio Bolsonaro reiterou, na íntegra de sua nota, a importância da "instalação da CPI do Banco Master". Ele defendeu que é imperativo "separar os inocentes, dos bandidos", e classificou sua ação como "um filho, procurando patrocínio PRIVADO para um filme PRIVADO sobre a história do próprio pai", sem uso de "dinheiro público" ou "lei Rouanet". O senador explicou que o contato com Vorcaro foi retomado devido a atrasos nos pagamentos das parcelas de patrocínio. Ele negou ter oferecido vantagens, intermediado negócios governamentais ou recebido qualquer benefício, contrastando sua situação com "relações espúrias do governo Lula e seus representantes com Vorcaro". A veemente defesa da CPI, portanto, visa não apenas esclarecer os fatos sobre o Banco Master, mas também blindar sua imagem e a do ex-presidente de suspeitas, ressaltando a urgência de transparência em um cenário político já complexo.

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