CONFLITO INTERNO

Bolsonarismo em crise: Eduardo e Flávio apoiam André do Prado ao Senado

Aliados de Bolsonaro expressam descontentamento com a escolha dos filhos do ex-presidente para a eleição ao Senado.
Aliados de Bolsonaro contestam escolha de filhos para eleição

Escolha do presidente da Alesp, sem aval do ex-presidente Jair Bolsonaro, acende alerta sobre unidade política do grupo.

A decisão de Eduardo Bolsonaro e Flávio Bolsonaro de apoiar o presidente da Assembleia Legislativa de São Paulo, André do Prado, para uma vaga ao Senado em São Paulo, gerou profundo desconforto entre aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro, expondo fissuras significativas na articulação política do grupo. Este movimento, articulado sem o aval público do ex-presidente, que cumpre prisão domiciliar e está impedido de receber visitas políticas, levanta questionamentos sobre a coesão ideológica e a estratégia para as próximas eleições, abalando a percepção de unidade entre seus eleitores e a base.

Nos bastidores, integrantes do bolsonarismo questionam veementemente a escolha de André do Prado, argumentando que o deputado estadual não pertence ao núcleo ideológico do grupo e mantém vínculos mais próximos ao centrão. Um aliado, ouvido reservadamente, expressou que não há uma justificativa clara para apresentar sua candidatura ao eleitorado conservador.

Segundo interlocutores, Jair Bolsonaro já havia sinalizado que, caso Eduardo não pudesse disputar o Senado, seu preferido seria o vice-prefeito de São Paulo, Ricardo Mello Araújo. Ainda assim, Eduardo optou por André do Prado após apelos do presidente do Partido Liberal, Valdemar Costa Neto, e do governador paulista Tarcísio de Freitas.

Antes de ser transferido para prisão domiciliar, Jair Bolsonaro vinha sendo procurado com frequência por aliados em busca de respaldo para candidaturas estaduais e para a mediação de disputas internas. Uma reportagem da Folha S.Paulo revelou que, em um intervalo de um mês, o STF recebeu 25 pedidos de visitas de políticos interessados em obter o aval do ex-presidente.

Divisões no campo bolsonarista

Durante um evento sobre Segurança Pública promovido por Tarcísio de Freitas na terça-feira, 12 de maio de 2026, André do Prado afirmou ter sido escolhido “pelo Eduardo Bolsonaro, pelo Flávio Bolsonaro, pelo governador Tarcísio de Freitas e pelo Partido Liberal”. “No dia a dia, essas pessoas [que criticam] vão me conhecer e vão saber por que o Eduardo me escolheu, o que eu agrego para a campanha do Flávio Bolsonaro em São Paulo”, disse o deputado, acrescentando que é uma pessoa “leal”.

“Jamais o Eduardo, juntamente com Flávio, faria um anúncio de apoio à minha candidatura se não tivesse o aval do presidente Bolsonaro. Estou muito tranquilo em relação a esse apoio”, completou André do Prado, embora tenha reconhecido que o nome preferido de Jair Bolsonaro era Ricardo Mello Araújo.

O vice-prefeito de São Paulo reagiu com ironia à escolha. “Se o Tarcísio gosta tanto do André do Prado, por que não o levou para ser vice, que seria o certo?”

Ricardo Mello Araújo afirmou que não fez lobby pela candidatura e que não tem mantido contato com os filhos do ex-presidente. Ele relatou ainda que tentou visitar Jair Bolsonaro no dia 18 de maio de 2026, mas o pedido foi negado pelo ministro Alexandre de Moraes. Como não deixou a vice-prefeitura dentro do prazo legal, ele está impedido de disputar as eleições deste ano.

“O PL tem um papel importante [na eleição], deveria sim ser protagonista [em São Paulo], e ficou de fora. E aí o Tarcísio de Freitas, para amenizar, começou a fazer campanha para André do Prado para ser senador”, afirmou.

Outro nome que deve entrar na disputa é o deputado federal Ricardo Salles, do Partido Novo. No fim de semana, Ricardo Salles insinuou, em publicação no X, que a indicação de André do Prado teria sido resultado de um acordo financeiro. “Se fizer isso, abro mão na hora. Se não fizer, é porque realmente não querem devolver a grana do tal acordo com o centrão”, escreveu, referindo-se ao que chamou de “filhote do Valdemar”.

André do Prado rebateu as acusações. “O Ricardo Salles tem que saber que eu fui escolhido do grupo bolsonarista.”

Eduardo Bolsonaro também reagiu em vídeo publicado no YouTube, intitulado “Aqui não, Salles”. “Ele [Ricardo Salles] começou partindo para calúnia, dizendo que eu sou bandido, que eu sou corrupto, que eu estou aceitando dinheiro em troca do voto, de indicar as pessoas votarem no André do Prado.”

Nos bastidores do Palácio dos Bandeirantes, aliados de Tarcísio de Freitas atribuem o apoio a André do Prado a três fatores: a relação de confiança construída com o presidente da Alesp, os atritos recorrentes entre o governador e Ricardo Mello Araújo e a avaliação de que o secretário de Segurança Pública, Guilherme Derrite, teria poucas chances de vitória.

Em entrevista à Jovem Pan, Tarcísio de Freitas afirmou que André do Prado seria o nome mais competitivo da direita para o Senado. “Ele é muito agregador. Vai ter os votos da direita, vai mobilizar os votos do centro.”

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