SEM MEDO DE LULA
BofA: Investidor internacional não teme eventual reeleição de Lula
David Beker, chefe de Economia no Brasil e Estratégia para América Latina do BofA, explica que fatores externos e a falta de gatilhos domésticos afastam capital estrangeiro, apesar da ausência de receio com a política.
Investidores internacionais não demonstram temor em relação a uma eventual reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A avaliação foi divulgada nesta sexta-feira, 03/07/2026, em São Paulo, por David Beker, chefe de Economia no Brasil e Estratégia para América Latina do Bank of America (BofA).
Beker observou que, embora os fluxos de capital não tenham beneficiado o Brasil recentemente, a causa reside predominantemente em fatores internacionais. Entre eles, destacam-se a expectativa de aumento nas taxas de juros nos Estados Unidos, alocações em inteligência artificial e uma diminuição da tensão no Oriente Médio, que impactou os preços do petróleo mais do que o previsto.
A percepção do investidor estrangeiro em relação a uma possível nova gestão de Lula é de familiaridade, o que, segundo Beker, dissipa o receio. No entanto, ele reconheceu que as incertezas eleitorais de outubro geram movimentações no mercado, dificultando a formação de estratégias de investimento de longo prazo. Investidores com visão estrutural tendem a focar em operações de curto prazo.
O Ibovespa, que BofA previa atingir 210 mil pontos neste ano, após um pico histórico de 195 mil em abril, encerrou o primeiro semestre de 2026 em torno de 172 mil pontos, com uma série de meses de desempenho negativo. A perda de ímpeto e a saída de capital estrangeiro, que antes impulsionava a bolsa, são notadas por Beker.
O economista atribui a mudança de comportamento do investidor estrangeiro principalmente ao cenário macroeconômico externo instável. Ele também aponta a ausência de catalisadores domésticos significativos que poderiam reativar o rali da bolsa brasileira observado anteriormente.
Atualmente, Beker destaca que a indústria de fundos local enfrenta resgates consideráveis. Uma eventual reversão nesse cenário dependeria de uma redução nas taxas de juros mais acentuada do que o mercado antecipa.
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