CRÍTICA À SANÇÃO

Bloqueio energético de Estados Unidos dobra mortalidade infantil em Cuba, denuncia embaixador Víctor Cairo

Embaixador Víctor Cairo, de Cuba.
Embaixador de Cuba no Brasil, Víctor Cairo, concedeu entrevista ao Poder360 sobre a crise na ilha.

Embaixador de Cuba no Brasil, Víctor Cairo, detalha ao Poder360 o impacto devastador dos apagões na saúde, com aumento de 4% para 8% nas mortes infantis e queda na taxa de cura do câncer infantil.

O bloqueio energético imposto pelos Estados Unidos causou uma duplicação na taxa de mortalidade infantil em Cuba, saltando de 4% para 8% desde janeiro, quando o abastecimento de petróleo foi interrompido. A declaração foi feita pelo embaixador de Cuba no Brasil, Víctor Cairo, em entrevista ao Poder360 nesta sábado, 04/07/2026.

Segundo o embaixador, a falta de energia elétrica afeta diretamente o sistema de saúde da ilha. Cirurgias são adiadas por falta de luz nos hospitais, e médicos são forçados a escolher quais pacientes receberão medicamentos escassos devido à insuficiência de suprimentos. A taxa de cura de crianças com câncer, que antes era de 85%, caiu para aproximadamente 65%.

A crise energética força os cubanos a utilizarem métodos alternativos para sobreviver, com a ilha operando com apenas 35% da capacidade de combustível necessária. Cuba recebe petróleo unicamente da Rússia, com apenas um carregamento nos últimos cinco meses, dificultando a operação das usinas termelétricas que dependem desse insumo.

Cairo também acusou os Estados Unidos de articularem para impedir a chegada de doações de alimentos à ilha. Ele relatou que houve pressão e chantagem sobre países e diplomatas para que não aprovassem programas de apoio alimentar destinados a Cuba.

A crise energética se agravou a partir de 3 de janeiro, com a captura do presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, pelos Estados Unidos. O presidente Donald Trump ameaçou impor tarifas a países que vendessem petróleo para Cuba, impactando o já limitado fornecimento venezuelano.

Apesar do movimento de aproximação entre Trump e a presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, o embaixador afirmou que a relação entre Cuba e a Venezuela permanece de “cooperação e solidariedade”. Tentativas de tratativas diplomáticas com Washington têm ocorrido, mas sem sucesso, pois frequentemente são seguidas por novas sanções “injustas e sem fundamento”, segundo Cairo.

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