PROTEÇÃO DE DADOS

BC prepara novas regras para coibir venda de dados no Open Finance

Ana Carla Abrão durante entrevista sobre regulação do Open Finance.
Ana Carla Abrão, presidente da Associação Open Finance Brasil, discute a evolução do sistema no Capital Insights.

Banco Central deve endurecer regulação em até 60 dias para garantir segurança e transparência aos usuários do sistema bancário.

O Banco Central (BC) planeja endurecer a regulação do setor financeiro para restringir a comercialização de dados obtidos por meio de participantes do Open Finance, visando salvaguardar a privacidade dos usuários. A medida foi anunciada durante o programa Capital Insights, realizado em 09/07/2026 em uma parceria entre a Broadcast e a CNN Money.

Ana Carla Abrão, presidente da Associação Open Finance Brasil, antecipou que novas diretrizes devem ser publicadas no prazo de 60 dias. A intenção é impedir que informações sensíveis, compartilhadas para finalidades específicas como a contratação de serviços, sejam indevidamente vendidas ou desviadas para terceiros fora do ecossistema regulado.

A proteção da dignidade do consumidor está no centro da iniciativa. Segundo Abrão, é fundamental que o cidadão detenha o controle total sobre o destino de seu histórico bancário. Se um dado é compartilhado para viabilizar um crédito ou serviço, a instituição receptora não possui autorização para comercializá-lo. O mau uso desses registros, que hoje somam 220 milhões de consentimentos, configura uma violação da confiança essencial para a conveniência do compartilhamento seguro.

A executiva enfatizou que o Open Finance deve ser uma ferramenta de progresso e facilitação, não de exposição do cliente. A nova regulação reforçará a necessidade de transparência, exigindo que as empresas informem de maneira inequívoca o destino e o propósito do uso dos dados. A decisão do BC ocorre após a autoridade monetária ter elevado, no final do ano passado, o capital requerido para instituições que gerenciam essas informações.

Enquanto o sistema atinge a escala de 770 instituições conectadas e 45 bilhões de chamadas mensais, a Associação Open Finance Brasil trabalha em estudos independentes, em parceria com universidades, para medir o impacto real dessas operações na redução de juros e spreads bancários. Os resultados dessas análises deverão ser apresentados até o fim de 2026.

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