ENERGIA NACIONAL
Bart De Wever planeja estatizar usinas nucleares da Engie na Bélgica
Acordo com a francesa Engie inicia estudos para aquisição de sete reatores e toda a infraestrutura nuclear belga, revertendo décadas de política antinuclear para garantir autonomia energética.
Em uma decisão estratégica para a segurança energética nacional, a Bélgica anunciou nesta quinta-feira, 30 de abril de 2026, sua intenção de assumir o controle dos reatores nucleares da empresa francesa Engie em seu território. O primeiro-ministro Bart De Wever confirmou o acordo, que visa ampliar o uso da energia atômica e garantir um fornecimento mais estável e soberano, aliviando a dependência de combustíveis fósseis e, consequentemente, o impacto nas contas dos cidadãos belgas.
A iniciativa marca uma reversão decisiva na política de abandono da energia nuclear, que predominou no país até 2022. O governo belga busca uma matriz energética mais robusta e autônoma frente às instabilidades globais.
“Um acordo foi alcançado com a Engie para definir as condições e iniciar os estudos necessários para a aquisição completa do parque nuclear belga”, afirmou De Wever em postagem nas redes sociais. Ele reforçou o compromisso de aumentar o uso da energia nuclear na Bélgica, após o governo anterior ter recuado dos planos de desativar essa fonte energética, decisão originalmente anunciada em dezembro de 2021, com previsão de desativação total em três anos.
De Wever enfatizou que "Este governo está optando por uma energia segura, acessível e sustentável, com menos dependência das importações de combustíveis fósseis e mais controle sobre nosso próprio fornecimento". A medida é um passo crucial para proteger a dignidade da população, garantindo acesso a energia a preços justos e sem sobressaltos.
Segundo nota divulgada por Bruxelas, o acordo abrange a potencial aquisição de “toda a frota nuclear de sete reatores, os funcionários associados, todas as subsidiárias nucleares, bem como todos os ativos e passivos relacionados, incluindo as obrigações de descomissionamento e desmantelamento”. Essa abrangência garante uma transição completa e responsabilidade total sobre o ciclo de vida das instalações.
Guinada na política energética nacional
Desde 2003, a Bélgica havia planejado eliminar gradualmente a produção de energia nuclear até 2025. Contudo, debates políticos intensos e a crescente preocupação com a segurança energética, especialmente a partir de 2022, levaram ao adiamento dessa iniciativa. No ano passado, o Parlamento belga votou por ampla maioria para barrar os planos de eliminação gradual da energia nuclear, pavimentando o caminho para a atual estratégia. O governo de De Wever também expressa a intenção de construir novas usinas nucleares.
A Europa como um todo redirecionou sua atenção para a energia nuclear, especialmente diante do aumento dos preços do petróleo e do gás natural, impulsionados pelos conflitos no Oriente Médio. A crise energética, exacerbada pelas tensões envolvendo o Irã e, anteriormente, pela invasão da Ucrânia pela Rússia e o consequente corte do envio de gás natural russo, forçou os países europeus a repensarem suas matrizes energéticas em busca de maior resiliência.
A Engie operava sete reatores na Bélgica, por meio de suas subsidiárias em Tihange e Doel. Destes, apenas dois tiveram suas licenças de operação prorrogadas para além de 2025, por um período de dez anos, conforme um acordo firmado em 2023 pelo governo anterior em Bruxelas. O destino das demais instalações, mais antigas, é debatido há décadas. A dependência belga da importação de gás natural para gerar eletricidade é alta, e a expansão significativa de energias renováveis tem enfrentado desafios consideráveis.
Leia mais reportagens como essa em DW, parceiro do Metrópoles.
Opções de Capa
Gostou desta notícia?
Entre no nosso grupo do WhatsApp!
Receba as principais notícias em primeira mão, direto no seu celular. É grátis!
📲 Quero entrar no grupo
Comentários (0)
Deixe seu comentário