ALERTA GLOBAL

Banco Mundial: Preço da energia sobe 24% em 2026 e impacta todos

Motorista abastecendo em Los Angeles, ilustrando a alta dos preços de energia.
Motorista abastece em um posto de gasolina em Los Angeles, nos Estados Unidos. — Foto: Damian Dovarganes/AP Photo

Projeção aponta alta para US$ 86 o barril de Brent, com ameaças à segurança alimentar e estabilidade financeira global.

O Banco Mundial alertou, nesta terça-feira, 28 de abril de 2026, que os preços da energia devem disparar 24% em 2026, alcançando o patamar mais elevado em quatro anos. A projeção sombria do Banco ocorre sob a condição de que os impactos mais severos da guerra no Oriente Médio se atenuem até maio, um cenário que, se concretizado, ainda assim trará graves repercussões globais, impactando diretamente o custo de vida e a estabilidade econômica de milhões de pessoas.

As commodities em geral também enfrentarão alta, podendo subir ainda mais caso as hostilidades na região se intensifiquem e as interrupções no fornecimento perdurem além do esperado. O relatório mais recente do Banco, "Perspectivas dos Mercados de Commodities", estima um aumento de 16% nos preços gerais das commodities em 2026, impulsionado pela escalada dos preços da energia, fertilizantes e recordes em diversos metais importantes.

O Banco Mundial baseia suas projeções na premissa de que os volumes de transporte marítimo pelo Estreito de Ormuz — crucial para mais de 20% do comércio global de petróleo — deverão retornar gradualmente aos níveis pré-guerra até outubro. Contudo, a instituição enfatiza que os riscos estão “notavelmente inclinados” para uma elevação ainda maior dos preços.

A tensão no Oriente Médio, com a estagnação dos esforços de paz entre os EUA e o Irã e o Estreito de Ormuz permanecendo restrito, continua a sufocar o fornecimento de energia, fertilizantes e outras commodities essenciais da região para compradores em todo o mundo. Ataques à infraestrutura energética e a interrupção no estreito — que antes da guerra era rota para cerca de 35% do petróleo bruto transportado por via marítima — já desencadearam o maior choque de oferta de petróleo registrado, conforme análise do Banco Mundial.

Em meados de abril, os preços do petróleo Brent, referência internacional, mantiveram-se mais de 50% acima do nível registrado no início do ano. A previsão é que o preço médio do barril de Brent alcance US$ 86 em 2026, um salto considerável em relação aos US$ 69 por barril estimados para 2025. Em um cenário mais pessimista, caso instalações críticas de petróleo e gás sofram novos danos e a recuperação das exportações seja lenta, os preços podem chegar a uma média de US$ 115 por barril ainda neste ano.

Nesta terça-feira, os contratos futuros do petróleo Brent para junho eram negociados em torno de US$ 109 por barril, após fecharem na véspera com o maior valor desde 7 de abril.

Em um alerta que acende um sinal vermelho para a desigualdade, o economista-chefe do Banco Mundial, Indermit Gill, ressaltou que este impacto atingirá os mais pobres com uma força devastadora, aprofundando a crise em nações em desenvolvimento já sobrecarregadas por dívidas. "A guerra está atingindo a economia global em ondas cumulativas: primeiro, com o aumento dos preços da energia; depois, com a alta dos preços dos alimentos; e, por fim, com o avanço da inflação, o que elevará as taxas de juros e encarecerá ainda mais o endividamento", explicou Gill.

Pressão no abastecimento de alimentos

As projeções do Banco Mundial indicam também que os preços dos fertilizantes aumentarão 31% em 2026, impulsionados por um salto de 60% no preço da ureia, o fertilizante nitrogenado sólido mais utilizado. O encarecimento dos fertilizantes é um golpe direto na segurança alimentar global. Ao corroer a renda de agricultores e ameaçar as safras futuras, esta alta de preços projeta um cenário de escassez e dificuldades.

O Programa Mundial de Alimentos projeta um cenário ainda mais desolador: se o conflito se arrastar, mais 45 milhões de pessoas poderão cair na insegurança alimentar aguda ainda neste ano, uma crise humanitária de proporções alarmantes.

A inflação nas economias em desenvolvimento deverá atingir uma média de 5,1% em 2026 no cenário-base, superando os 4,7% registrados no ano passado e representando um ponto percentual acima das projeções pré-guerra. Se o conflito se prolongar, a inflação pode escalar para 5,8% nesses países, dificultando ainda mais a vida da população.

O crescimento econômico também sofrerá um impacto significativo, segundo o Banco. As economias em desenvolvimento agora devem crescer apenas 3,6% em 2026, uma queda preocupante em relação à projeção de 4% feita antes do início da guerra.

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