CRÉDITO E ESTABILIDADE

Banco Central prepara novas medidas para conter endividamento das famílias

Fachada do edifício sede do Banco Central em Brasília
Fachada do prédio do Banco Central em Brasília — crédito: \u003c/b\u003e a taxa de juros do cartão de crédito rotativo atingiu 436,2% ao a

Com endividamento em patamar histórico, Comef busca reduzir riscos de modalidades onerosas e fortalecer a sustentabilidade do sistema financeiro nacional.

O Banco Central (BC) anunciou, nesta quarta-feira (02/09), que prepara um pacote de medidas voltadas a reduzir os riscos relacionados à alta concentração de dívidas em modalidades de crédito mais caras. A decisão, tomada pelo Comitê de Estabilidade Financeira (Comef), visa fortalecer a sustentabilidade do crédito no Brasil e proteger a resiliência do sistema financeiro diante do atual cenário de endividamento doméstico.

A preocupação da autoridade monetária decorre do nível de comprometimento de renda das famílias, que atingiu o maior patamar da série histórica. O índice, que alcança 49,8% das famílias brasileiras, reflete um cenário de cautela, conforme detalhado na ata do Comef publicada nesta quarta-feira (02/09).

O peso do crédito oneroso, como o rotativo do cartão de crédito — cujos juros ainda superam os 436% ao ano, apesar de uma leve redução registrada em julho —, é um dos pontos centrais de alerta para a equipe econômica. O governo federal buscou endereçar o problema com o lançamento do programa Novo Desenrola Brasil, em 04/05, mas o cenário de endividamento persiste como um desafio estrutural para o consumo e a economia.

Além das famílias, o Comef observou um aumento na despesa financeira líquida das empresas, o que pressiona a estabilidade das corporações. As futuras regulações do BC buscam incentivar o reconhecimento rápido de riscos e promover condições mais saudáveis para a oferta de crédito, conforme destacou o presidente do BC, Gabriel Galípolo, em alinhamento com a visão de longo prazo para o consumo consciente no país.

Essa dinâmica de endividamento reflete diretamente na economia real. O consumo das famílias, motor relevante do PIB, apresentou recuo de 0,4% no último trimestre. Com o setor de serviços avançando apenas 0,2%, o crescimento do PIB desacelerou para 0,5% no segundo trimestre, ante a alta de 1,1% observada no período anterior.

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