RESISTÊNCIA EM PLENÁRIO

Bancadas na Câmara travam votação de projeto que criminaliza misoginia

Presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta, em pronunciamento.
Presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta, ao lado de parlamentares da base governista durante discussão sobre a proposta que prevê o fim da escala 6x1.

Lideranças de direita e de grupos religiosos sinalizam contrariedade. Projeto busca equiparar misoginia ao crime de racismo e prevê penas de prisão e exclusão de perfis em redes sociais.

{"blocks":[{"type":"paragraph","data":{"text":"A votação do projeto que criminaliza a misoginia na Câmara dos Deputados, prevista para ocorrer antes do recesso parlamentar, enfrenta resistência de lideranças da direita, das bancadas evangélica e católica. Essas bancadas sinalizam a necessidade de mais debates, o que pode adiar o avanço da proposta, com o recesso previsto para iniciar em 18 de julho."}},{"type":"paragraph","data":{"text":"Nesta terça-feira, 7 de julho de 2026, líderes partidários expressaram contrariedade à apreciação do texto nesta semana. Parlamentares de partidos como PL e Novo, além de representantes de grupos religiosos, argumentam que a proposta requer aprofundamento nas discussões. Por outro lado, a base governista segue empenhada na aprovação antes da pausa. Pedro Uczai (PT-SC), líder do partido na Câmara, demonstra otimismo na superação das divergências para avançar com a votação na semana seguinte."}},{"type":"paragraph","data":{"text":"A expectativa é que a inclusão do projeto na pauta seja novamente debatida nos próximos dias. Para isso, a relatora Tabata Amaral (PSB-SP) intensificará as negociações com as bancadas na tentativa de construir um consenso. O PL, por exemplo, indica que ainda não teve a oportunidade de discutir o texto com a deputada."}},{"type":"paragraph","data":{"text":"A principal objeção parte de integrantes das bancadas evangélica e católica, que manifestam preocupação com a possibilidade de restrições à liberdade de culto e à livre expressão de líderes religiosos. Líderes do Centrão avaliam que a construção de um consenso nesses setores nos próximos dias será desafiadora, o que pode postergar a votação para após o recesso."}},{"type":"paragraph","data":{"text":"A proposta, que já foi aprovada pelo Senado e chegou à Câmara em março de 2026, tem gerado divergências entre os deputados. Visando mitigar as resistências, o presidente da Casa, Hugo Motta (Republicanos-PB), instituiu um grupo de trabalho para debater o texto antes de sua submissão ao plenário. Uma tentativa anterior de votação em junho foi adiada pela falta de consenso. Recentemente, a Câmara aprovou um requerimento de urgência, permitindo que o projeto seja analisado diretamente pelo plenário, sem a necessidade de passagem pelas comissões."}},{"type":"heading","data":{"level":3,"text":"O que diz a proposta"}},{"type":"list","data":{"style":"unordered","items":["O texto criminaliza e define como ato de misoginia a \"prática, a indução ou a incitação de violência, de restrição ao pleno exercício de direitos ou de ofensa à dignidade da mulher, em razão da condição de mulher\".","A proposta equipara a conduta ao crime de racismo.","Indivíduos que injuriarem ou ofenderem uma mulher por sua \"condição de mulher\" poderão ser condenados a pena de dois a cinco anos de prisão, além de multa.","A proposta também prevê pena de um a três anos de prisão, além de multa, para quem incentivar ou induzir a prática de atos de misoginia.","Outra medida prevista é a possibilidade de a Justiça determinar a derrubada de perfis em redes sociais quando os crimes forem cometidos por esses meios.","Nesses casos, a pena poderá ser aumentada de metade até o dobro se as publicações tiverem como objetivo obter vantagem econômica por meio do engajamento ou forem feitas por perfis com \"expressiva audiência, influência pública ou capacidade ampliada de difusão\"."]}},{"type":"paragraph","data":{"text":"Hugo Motta reafirmou em rede social, na semana passada, que acompanha de perto as negociações de Tabata Amaral, destacando que garantir a proteção, o respeito e a dignidade de todas as brasileiras é prioridade. Ele assegurou que a Câmara dos Deputados reitera seu compromisso no combate à misoginia e à violência contra as mulheres."}}]}

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