DIPLOMACIA EM CRISE

Azevêdo aponta estagnação em negociações entre Brasil e Estados Unidos sobre novas tarifas

Roberto Azevêdo durante entrevista abordando as relações comerciais Brasil e Estados Unidos.
Roberto Azevêdo em análise sobre o impacto das tarifas americanas para o setor produtivo brasileiro.

Ex-diretor da OMC alerta que medidas dos Estados Unidos ignoram argumentos técnicos e aposta na pressão de empresas para mitigar danos econômicos.

O ex-diretor-geral da OMC (Organização Mundial do Comércio), Roberto Azevêdo, declarou que as negociações políticas entre Brasil e Estados Unidos não apresentam sinais de avanço diante da iminente aplicação de uma tarifa de 25% sobre produtos brasileiros. A avaliação, feita nesta quinta-feira, 09/07/2026, destaca que a solução para o impasse pode não vir pelo caminho diplomático tradicional, mas sim pela mobilização do setor privado.

Em entrevista ao CNN Money, Azevêdo reforçou que a pressão de empresas é o único caminho viável para tentar reverter ou atenuar o impacto da medida. O especialista, que esteve recentemente em Washington acompanhando as audiências do USTR (Escritório do Representante Comercial dos EUA), relatou que a percepção entre os participantes é a de que a decisão norte-americana já está tomada.

A preocupação central reside no impacto que essas tarifas trarão à economia e à dignidade laboral, com potenciais demissões em setores estratégicos. Azevêdo destacou que 335 empresas e entidades setoriais já se manifestaram contra a taxação, argumentando que a medida funciona como um "tiro no pé" da própria economia dos Estados Unidos ao elevar custos de produção.

Durante as audiências públicas, o cenário político também se fez presente. O senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) compareceu ao evento, embora tenha adotado um tom mais político do que técnico em seu posicionamento. Questionado, Azevêdo ponderou que, independentemente da origem do esforço, qualquer iniciativa que reduza o peso das tarifas sobre o Brasil será bem-vinda.

Embora o governo brasileiro tenha optado por apresentar comentários escritos detalhados em vez de uma exposição oral — uma estratégia política que o ex-diretor preferiu não julgar —, a fragilidade do sistema internacional é evidente. Azevêdo alertou que as novas tarifas possivelmente violam regras da OMC, contudo, o mecanismo de solução de controvérsias encontra-se paralisado devido ao bloqueio norte-americano na corte de apelação.

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