INVESTIGAÇÃO FINANCEIRA
Augusto Ferreira Lima, ex-sócio do Banco Master, é alvo da Operação Compliance Zero
Empresário é um dos alvos de busca e apreensão da Polícia Federal; senador Jaques Wagner também é investigado no esquema.
O empresário Augusto Ferreira Lima, ex-sócio do banqueiro Daniel Vorcaro, tornou-se alvo da nona fase da Operação Compliance Zero. A ação da Polícia Federal, deflagrada nesta quinta-feira, 18/06/2026, apura um esquema de irregularidades financeiras que envolve o Banco Master.
Lima é um dos alvos de busca e apreensão, assim como o senador Jaques Wagner (PT-BA), líder do governo no Senado. A investigação busca esclarecer o impacto dessas ações na estabilidade financeira e na confiança do público no sistema bancário.
O empresário, ex-sócio de Vorcaro, transferiu a construção e comercialização de pelo menos dois empreendimentos de luxo na Bahia para a OR, empresa especializada em mercado imobiliário do grupo Novonor (antiga Odebrecht). Essas transações, ligadas à sua holding Terra Firme Realty S.A., ocorreram em outubro de 2025, um período em que o Banco Master já enfrentava sérias dificuldades financeiras, culminando em sua liquidação semanas depois. A venda da instituição ao BRB, barrada pelo Banco Central cinco meses antes, evidenciava a fragilidade do banco.
Augusto Ferreira Lima já havia sido detido na primeira fase da Operação Compliance Zero, permanecendo preso por 11 dias em novembro de 2025. Sua soltura ocorreu por decisão do Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1), mas ele segue monitorado por tornozeleira eletrônica, o que demonstra a continuidade das investigações e a preocupação com o cumprimento das medidas judiciais para garantir a ordem pública.
Além do Banco Master, Lima foi controlador do Banco Pleno, cuja liquidação extrajudicial foi decretada pelo Banco Central em fevereiro. Sua esposa, Flávia Péres, atuou como ex-ministra do governo Bolsonaro. Esses vínculos reforçam a necessidade de transparência e responsabilização nas esferas de poder e nos setores financeiros.
Em dezembro de 2025, Lima e outros sócios do dono do Banco Master tornaram-se réus em uma ação judicial que cobra R$ 247 milhões no Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP). A cobrança reflete a gravidade das perdas financeiras e o impacto na dignidade dos envolvidos e na sociedade.
Meses antes de ser alvo desta nova fase da operação, em abril de 2025, Lima teve seus bens bloqueados pela Justiça de São Paulo. Na ocasião, foram encontrados R$ 112 milhões aplicados em uma conta sua na Reag Trust Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários S.A., um fundo que, posteriormente, foi liquidado pelo Banco Central em 15 de janeiro deste ano e que já havia sido objeto da segunda fase da Operação Compliance Zero. A recuperação desses valores busca mitigar os prejuicios causados.
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