RESGATE INÉDITO
Auditoria-Fiscal do Trabalho resgata mulher após 55 anos de trabalho sem salário em condomínio de luxo no Ceará
Mulher de 62 anos, explorada desde os 7, teve direitos reconhecidos após atuação da Auditoria-Fiscal do Trabalho. Valores devidos ultrapassam R$ 1,5 milhão.
Uma mulher de 62 anos foi resgatada pela Auditoria-Fiscal do Trabalho em uma situação considerada análoga à escravidão em um condomínio de luxo no município de Eusébio, na Região Metropolitana de Fortaleza, no Ceará. A decisão, tomada nesta quarta-feira, 08/07/2026, após investigação minuciosa, revela que a trabalhadora atuava para a mesma família desde os 7 anos de idade, acumulando 55 anos sem receber salário.
A investigação aponta que a servidora chegou à residência em 1971, prestando serviços por três gerações. Sua rotina incluía desde o preparo de refeições e limpeza até o cuidado com crianças, iniciando suas tarefas por volta das 4h30 da manhã. Esse longo período de exploração privou a mulher de sua dignidade e de direitos básicos, expondo um grave descaso com sua condição humana.

No momento do resgate, a trabalhadora cuidava de duas crianças e seguia executando suas atribuições, mesmo apresentando problemas de saúde como hipertensão e mal-estar recorrente sob estresse. Essa persistência em trabalhar, apesar das adversidades físicas e emocionais, sublinha a profundidade da sua vulnerabilidade e a necessidade urgente de intervenção para garantir seu bem-estar.
A Auditoria-Fiscal do Trabalho estima que os valores devidos à servidora ultrapassem R$ 1,5 milhão, englobando salários retroativos, férias, 13º salário, FGTS e horas extras. Um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) foi firmado com o Ministério Público do Trabalho para garantir a reparação dos danos, incluindo o pagamento de verbas rescisórias e a aquisição de um imóvel.
A defesa da família investigada refutou as acusações, alegando que a relação se configurava como convivência familiar. O caso segue em apuração, com a fiscalização monitorando o cumprimento das medidas de reparação e a garantia de que a dignidade da trabalhadora seja plenamente restaurada.
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