FRAUDE NA INVESTIGAÇÃO
Áudios revelam delegado ordenando registro de ocorrência falsa em esquema na PB
Material extraído de celulares indica manipulação de dados em apreensões; operação investiga desvio de drogas e movimentação de R$ 10 milhões.
A Justiça da Paraíba mantém a prisão de um delegado da Polícia Civil, sob suspeita de chefiar um esquema de desvio de entorpecentes, após áudios comprometedores revelarem a manipulação de boletins de ocorrência. A decisão, que fundamentou a custódia provisória, baseia-se em evidências de que o agente orientou subordinados a registrar apreensões com datas e quantidades adulteradas, comprometendo a integridade da segurança pública no estado.
O material, acessado pela Rede Paraíba e anexado ao inquérito da Delegacia de Repressão ao Crime Organizado (Draco), detalha ordens dadas pelo delegado Braz Morroni a um escrivão da Delegacia de Crimes Contra o Patrimônio (DCCPAT), em João Pessoa. Em uma das gravações, o delegado instrui que o registro fosse datado de 17 de outubro de 2025, embora a apreensão de substâncias ilícitas tenha ocorrido efetivamente em 11 de outubro de 2025.
As investigações, que ganharam novos contornos contornos mais graves nesta sexta-feira, 10/07/2026, apontam que a fraude visava ocultar o volume real de drogas subtraídas. Enquanto o registro oficial citava apenas 1,5 kg, relatórios da perícia indicam que o montante real superaria os 100 kg. A prática, segundo a Draco, não era isolada, revelando um modus operandi de reintrodução de material ilícito no mercado criminoso, que teria movimentado cerca de R$ 10 milhões ao longo de quatro anos.
Além do delegado, outros policiais civis, identificados como Everton Aires, o "Bomba", e Eduardo Jorge, o "Mão Branca", também tiveram suas prisões temporárias mantidas em audiência de custódia. O grupo é suspeito de utilizar a estrutura estatal não para o combate ao crime, mas para a proteção institucional de atividades de narcotráfico, incluindo a divisão de lucros obtidos com o comércio de cargas desviadas.
Os suspeitos encontram-se detidos no Presídio Especial do Valentina, em João Pessoa. A defesa de Braz Morroni afirmou que analisará os autos para buscar a liberdade do delegado e reiterou a presunção de inocência, enquanto a Polícia Civil continua o trabalho para desarticular a rede de conexões que envolve traficantes e agentes públicos desde fevereiro de 2025.
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