MUDANÇA NO JOGO

Áudio de Flávio Bolsonaro impacta corrida presidencial de 2026, dizem analistas

Áudio de Flávio Bolsonaro impacta corrida presidencial de 2026, dizem analistas

Vazamento com Daniel Vorcaro desgasta senador e dá fôlego a Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Instituto Atlas aponta Lula 7 pontos à frente.

O vazamento de um áudio e mensagens envolvendo o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do Master, reconfigurou o cenário da corrida eleitoral à Presidência da República em 2026. Analistas políticos, ouvidos pela CNN nesta sábado, 16 de maio de 2026, apontam que o episódio causou um desgaste significativo na pré-candidatura do senador, concedendo ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) uma oportunidade estratégica para fortalecer sua campanha. Dados atualizados do Instituto Atlas, divulgados na última sexta-feira, 15 de maio de 2026, já mostram Lula abrindo uma vantagem de sete pontos percentuais sobre Flávio Bolsonaro em uma simulação de segundo turno, invertendo um quadro de empate técnico anterior.

Segundo levantamentos diários do Instituto Atlas, conhecidos como 'trackings', a vantagem do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sobre o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) na simulação de segundo turno se ampliou para sete pontos percentuais após o vazamento do áudio. O cenário, atualizado às 11h da última sexta-feira, 15 de maio de 2026, revela Lula com 49,1% das intenções de voto, em contraste com os 42,6% do senador, revertendo um empate técnico anterior.

O cientista político e professor do Insper, Leandro Consentino, observa uma drástica mudança: "No começo do ano, foi registrado um declínio da popularidade do Lula e um favorecimento do nome de Flávio. Mas, recentemente, principalmente na última semana, o cenário se modificou bastante, tanto com uma melhora da avaliação do Governo e do próprio Lula, quanto com o nome de Flávio relacionado ao Caso Master; a candidatura dificilmente consegue se recuperar de um baque como esse."

O impacto na capacidade de dialogar com o eleitor indeciso é outro ponto de alerta, um segmento crucial para o senador. Eduardo Grin, cientista político e professor da FGV EAESP, explica: "Flávio sai muito desgastado dessa história do Master, isso não quer dizer que ele tá morto politicamente, mas que ele vai perder votos, possivelmente do eleitor mais independente, da base da direita não bolsonarista. Numa eleição como essa, que vai ser muito disputada, perder votos desses eleitores pode ser decisivo, sobretudo no segundo turno." Grin ainda completa, alertando que "o bolsonarismo sabe que se ficar refém só da própria bolha, não consegue ter voto suficiente para ampliar a campanha."

Consentino vislumbra a possibilidade de uma desistência da candidatura do filho 01 do ex-presidente Jair Bolsonaro. "Muito provavelmente o núcleo duro do bolsonarismo ainda deve continuar com Flávio, mas a grande questão é que ele perde a capacidade de encantar os moderados, que são um elo importante para conseguir a vitória eleitoral. Ele terá grandes dificuldades caso queira manter a candidatura", pontua.

A pesquisa eleitoral mais recente de amplitude nacional, divulgada pela Genial/Quaest na última quarta-feira, 13 de maio de 2026, antes dos vazamentos, já mostrava uma polarização evidente. Nela, Lula somava 39% das intenções de voto em primeiro turno, contra 33% de Flávio. Ambos os candidatos registravam uma grande diferença em comparação com o terceiro colocado, o ex-governador de Goiás Ronaldo Caiado, que apareceu com 4%. Para Grin, este cenário de forte polarização tende a persistir.

Grin avalia que "tem muita água para rolar ainda, mas o escândalo certamente pega Flávio num ponto muito sensível. No entanto, isso não deve abrir espaço para alimentar candidaturas de terceira via, como as de Romeu Zema (Novo), Caiado e Renan Santos (Missão). São candidaturas que acredito que não conseguem fugir da polarização. Podem se favorecer dos vazamentos marginalmente, mas não devem alterar a lógica dessa eleição presidencial, que será polarizada entre o Flávio Bolsonaro e Lula."

Já Leandro Consentino apresenta uma visão sobre a polarização atual como mais "sensível". "A polarização é mais frágil, em 2022 você tinha uma união muito forte do campo da direita, assim como na esquerda. Em 2026, essa questão permanece para Lula, que não tem ninguém de seu campo político desafiando a posição dele, mas na direita, com o enfraquecimento do Flávio, eventualmente até com a retirada da sua candidatura, pode implodir o campo e então se torna muito mais frágil essa polarização", pondera o professor.

Para que o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) ganhe tração na disputa, a estratégia deve focar na baixa aprovação do governo Lula, que na mesma pesquisa Genial/Quaest registrou 39% de avaliações negativas. "O principal ativo que pode ser explorado pela direita é a crítica ao atual governo, tendo em vista que, apesar de ter melhorado, a avaliação do Governo não é das melhores", afirma Consentino.

Grin aponta outros pilares para o bolsonarista: "Flávio vinha crescendo na inércia do próprio nome, até agora ele fez uma campanha parada e mesmo assim registra empates com Lula. O apoio social que o bolsonarismo tem é sua grande força. Outro ponto é a possibilidade de contar com aliança de partidos com boa capilaridade em prefeituras, os partidos do centrão, também considerando a chance de construir palanques estaduais em colégios fortes, como é o caso de São Paulo, Rio de Janeiro e eventualmente Minas Gerais."

Sobre as estratégias do presidente Lula (PT), os especialistas sugerem aproveitar o momento favorável. "Ele pode adotar a estratégia de jogar parado, tentar não criar polêmicas, tendo em vista que seu adversário está em maus lençóis", comenta o professor do Insper.

O professor Grin enfatiza as oportunidades do presidente por ser o atual mandatário e estar em seu terceiro mandato. "Lula tem um 'recall' enorme, as pessoas conhecem muito bem o nome, ele tem sobretudo muita penetração no Nordeste. O presidente também conta com a máquina do governo na mão, o que não é pouca coisa, permite a ele realizar uma série de políticas públicas que ele poderá utilizar para dizer que está buscando atender a população, como o fim da 6x1", conclui.

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