AGRO EM FOCO
Audiências públicas em Washington debatem tarifa de 25% sobre importações do Brasil
Setores do agronegócio brasileiro e americano participam de discussões nos EUA sobre possível sobretaxa de 25% em produtos nacionais. Decisão final impacta comércio bilateral.
Audiências públicas em Washington, a partir de hoje, 06/07/2026, concentram o debate sobre a proposta do governo dos Estados Unidos de aplicar uma tarifa adicional de 25% sobre uma parcela das importações brasileiras. A decisão, que se aproxima de sua fase final, tem potencial para reconfigurar as relações comerciais bilaterais e impactar significativamente o setor agropecuário de ambos os países.
A lista de participantes divulgada pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) evidencia a proeminência do agronegócio. Representantes de entidades brasileiras de diversos setores, como carne, café, arroz, etanol e sementes, confirmaram presença, assim como associações americanas de pecuaristas, produtores de milho, combustíveis renováveis e açúcar.
Estas audiências marcam as etapas conclusivas da investigação iniciada pelo USTR em 2025, que alega práticas comerciais desleais por parte do Brasil. Questões como políticas relacionadas ao Pix, tarifas comerciais, propriedade intelectual, combate à corrupção e fiscalização ambiental estão em pauta.
Ao final das sessões, o governo do presidente Donald Trump analisará as contribuições e decidirá sobre a recomendação de impor a sobretaxa de 25% sobre produtos brasileiros. É importante notar que alguns setores, como carne bovina, aeronaves e minerais estratégicos, já foram considerados para exclusão da proposta inicial, indicando uma análise segmentada.
Participam das discussões importantes nomes do agronegócio brasileiro, incluindo representantes da Associação Brasileira da Indústria do Arroz (Abiarroz), da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), do Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé), da Associação Brasileira da Indústria de Café Solúvel (Abics), da União Nacional do Etanol de Milho (Unem), da União da Indústria de Cana-de-Açúcar e Bioenergia (Unica), da Sociedade Rural Brasileira (SRB) e da Associação Brasileira dos Exportadores de Mel.
Do lado americano, a participação inclui a Associação Nacional de Produtores de Milho dos Estados Unidos, a Associação de Combustíveis Renováveis, a Associação Americana do Comércio de Sementes, o Conselho de Grãos e Bioprodutos, além de entidades de pecuaristas e produtores de açúcar de beterraba. A configuração dos painéis sugere um escrutínio aprofundado tanto de interesses americanos em áreas como combustíveis renováveis e sementes, quanto de preocupações brasileiras relativas ao acesso a mercados para seus produtos agropecuários.
Um dos destaques nas audiências é a presença do diplomata Roberto Azevêdo, ex-diretor-geral da Organização Mundial do Comércio (OMC). Contratado por representantes do setor privado brasileiro, ele intervém para defender os interesses das empresas do Brasil nas negociações.
A decisão final, embora ainda pendente de conclusão, é aguardada com expectativa pelo agronegócio brasileiro. Os Estados Unidos são um destino primordial para exportações de café, açúcar, etanol, suco de laranja e produtos florestais brasileiros, e qualquer alteração tarifária tem o potencial de gerar efeitos econômicos e sociais relevantes, afetando a dignidade e o sustento de milhares de trabalhadores e produtores rurais.
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