PERIGO EM DOSES

Atletas de fisiculturismo usam insulina para ganho muscular e enfrentam riscos letais

Foto do influenciador e atleta de fisiculturismo Gabriel Ganley.
Gabriel Ganley, influenciador e atleta de fisiculturismo, faleceu aos 22 anos.

Endocrinologista alerta para o risco de morte em minutos com o uso indevido da substância, comum entre fisiculturistas em busca de resultados rápidos.

A recente morte do influenciador e atleta de fisiculturismo Gabriel Ganley, aos 22 anos, reacendeu o debate sobre o uso de hormônios na busca por um corpo musculoso. A aplicação de insulina, substância que regula a glicose no sangue, tem se tornado uma prática entre praticantes de musculação que almejam resultados expressivos nas academias. A insulina é um hormônio produzido naturalmente pelo pâncreas, liberado após as refeições, e possui um papel anabólico direto na construção de tecidos. Sua função nos músculos levou à sua disseminação no fisiculturismo, segundo Martha Gisela Farias dos Santos, endocrinologista do Hospital Quali Ipanema. "A insulina é um dos hormônios que mais estimula o crescimento do corpo. Ela funciona como um super tanque, ela empurra à força a proteína e a energia para dentro dos músculos, fazendo com que eles cresçam e se recuperem muito rápido", explicou a médica. No entanto, o uso injetável da substância traz consigo riscos severos. "O grande problema é que, ao contrário dos outros anabolizantes - que trazem problemas, mas a longo prazo -, é que um erro muito mínimo pode matar a pessoa em poucos minutos", alertou Martha Gisela Farias dos Santos. A própria vítima, Gabriel Ganley, relatou em entrevista ao Flow Podcast ter utilizado hormônios e, cerca de três meses antes de seu falecimento, sentiu-se mal após aplicar insulina sem se alimentar adequadamente, um desabafo que evidencia os perigos da prática. Existem diferentes tipos de insulina no mercado farmacêutico, variando em velocidade de ação e intensidade. As insulinas rápidas e ultrarrápidas, que agem em minutos com efeito de curta duração, são preferidas por fisiculturistas. Eles buscam sincronizar o pico do hormônio com o consumo pós-treino para otimizar a absorção muscular. Já as insulinas lentas ou intermediárias levam mais tempo para iniciar seu efeito e permanecem por mais horas no organismo. Um erro na dosagem ou no momento da aplicação pode levar à hipoglicemia intensa, caracterizada por tremores, sudorese fria, taquicardia e fome excessiva. Em casos mais graves, pode ocorrer confusão mental, comportamento agressivo, sensação de embriaguez, convulsões e coma. A endocrinologista sugere a "regra dos 15" para reverter quedas leves de glicose: ingerir 15 gramas de carboidrato rápido (como uma colher de sopa de açúcar diluída em água) ou 150 ml de refrigerante e aguardar 15 minutos para nova medição da glicemia. Contudo, quando a queda de glicose é violenta e rápida, o corpo pode ficar incapacitado de reagir. "Se houver desmaio, e isso é uma emergência médica absoluta, deve-se chamar o SAMU (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência) e evitar ao máximo colocar líquido de alguém que esteja inconsciente, porque tem o risco de asfixia", pontuou Martha Gisela Farias dos Santos. No ambiente hospitalar, o tratamento envolve a aplicação de glicose hipertônica diretamente na veia do paciente. O uso de insulina por fisiculturistas, embora prometa aceleração no ganho muscular, representa um risco direto à vida, exigindo extrema cautela e conhecimento técnico, sob pena de consequências fatais.

Gostou desta notícia?

Entre no nosso grupo do WhatsApp!

Receba as principais notícias em primeira mão, direto no seu celular. É grátis!

📲 Quero entrar no grupo

Compartilhe esta matéria

Comentários (0)

Seja o primeiro a comentar!

Deixe seu comentário