SEGURANÇA E VIOLÊNCIA

Arma de fogo em casa aumenta em 27 vezes o risco de feminicídio em MG

Homem posa com arma de fogo em ambiente doméstico, ilustrando o risco de violência.
Dados da Polícia Civil de Minas Gerais revelam correlação direta entre posse de armas e aumento de casos letais contra mulheres.

Pesquisa inédita da UFMG revela que a presença de armamentos no ambiente doméstico potencializa letalidade contra mulheres. Especialistas pedem integração de políticas públicas.

A presença de armas de fogo em residências amplia drasticamente a vulnerabilidade de mulheres em situação de violência doméstica no estado de MG, conforme aponta um levantamento detalhado divulgado neste domingo, 12/07/2026. A pesquisa, que analisa o risco de feminicídio sob uma nova perspectiva técnica, identifica que a letalidade contra mulheres cresce exponencialmente quando o agressor tem acesso facilitado a armamentos. Ludmila Ribeiro, professora da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e coordenadora da Rede Feminina de Estudos sobre Violência, Justiça e Prisões, alerta para a gravidade dos dados. Conforme o estudo, uma mulher que já denunciou agressões tem 27 vezes mais chances de ser vítima de um crime fatal se conviver com uma arma de fogo dentro de casa, em comparação com vítimas que não possuem esse risco no lar. As conclusões integram o estudo “Violência Doméstica e Respostas Institucionais: Evidências Geradas a partir da Análise dos Dados da Polícia Civil de Minas Gerais (2010–2023)”. O trabalho utiliza um banco de dados inédito, cedido à equipe do projeto Vida em 2024, para mapear a escalada da violência no estado. Os números revelam um cenário preocupante entre 2019 e maio de 2026, período em que MG contabilizou 2.725 vítimas entre casos consumados e tentativas. Em 2024, o estado atingiu o pico da série histórica com 417 vítimas. A capital, Belo Horizonte, junto a cidades como Betim e Contagem, concentra os maiores índices de ocorrências na Região Metropolitana (RMBH). Para enfrentar essa realidade, Ludmila Ribeiro defende a ampliação da Patrulha Maria da Penha e o uso rigoroso do Formulário Nacional de Avaliação de Risco (Fonar). Embora a pesquisadora reconheça a eficácia das patrulhas, ela ressalta que o alcance atual é limitado, cobrindo apenas cerca de 1% das mulheres com medidas protetivas na capital. Além da fiscalização, a especialista enfatiza que o combate ao feminicídio exige uma rede integrada de saúde, educação e assistência social para romper ciclos de violência naturalizados.

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