RISCO GEOPOLÍTICO BRASIL
Arko Advice: Decisões dos EUA moldam risco geopolítico do Brasil
Consultoria Arko Advice aponta que tensões internacionais, especialmente ações da Casa Branca, impactam cenário eleitoral e econômico nacional. Especialistas alertam para influência inédita da geopolítica nas eleições.
Decisões tomadas pelos Estados Unidos, em especial as oriundas da Casa Branca, moldam o cenário de risco geopolítico para o Brasil, segundo aponta um relatório recente da consultoria política Arko Advice. O estudo, intitulado "Risco Brasil", foi divulgado neste mês e sugere que as tensões na política internacional representam um risco médio, classificado com nota 48 em uma escala de zero a 100, com tendência de agravamento nos próximos meses.
As dinâmicas externas terão repercussões diretas no âmbito doméstico e eleitoral brasileiro ainda em 2026. Murillo de Aragão, cientista político e CEO da Arko Advice, destacou que o impacto da geopolítica nas eleições é algo sem precedentes desde 1945, ano que marcou o fim da Segunda Guerra Mundial. Ele ressaltou a influência significativa da Casa Branca e de suas estratégias de interferência.
Entre os principais fatores de risco listados, figura a possível designação, por parte dos EUA, de facções criminosas como o PCC e o Comando Vermelho à lista de organizações terroristas. A Arko Advice explica que tal medida acarreta efeitos diplomáticos e financeiros, já impactando o cenário de risco. A consultoria também alerta que novas sanções impostas pelo Departamento do Tesouro americano a indivíduos ou empresas ligadas a esses grupos podem agravar a situação durante o ciclo eleitoral.
Essa potencial classificação já gerou atritos entre Brasília e Washington. Em 06 de julho, o Itamaraty manifestou preocupação com a possibilidade de uso de força militar dos Estados Unidos em território brasileiro, afirmando que a medida não traria benefícios concretos ao combate ao crime organizado. Em resposta, o Departamento de Estado americano considerou a hipótese de ataque como "absurda" e defendeu as ações de segurança da Casa Branca.
Outro ponto de atenção é a instabilidade no Estreito de Ormuz e suas consequências para o preço do petróleo. Mesmo com um acordo de cessar-fogo, a recuperação do tráfego marítimo na região tem sido lenta e sujeita a interferências. Antes de conflitos mais recentes, cerca de 100 navios comerciais atravessavam a passagem diariamente; com a nova trégua e reabertura, o número caiu para 34 em 04 de julho. Contudo, as constantes trocas de ataques entre Estados Unidos e Irã elevam os riscos à navegação e podem dificultar a estabilização dos combustíveis.
O relatório da Arko Advice também cita o impasse tarifário como fator de risco. As negociações no USTR (Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos) sobre a aplicação de tarifas de 25% devido a supostas práticas comerciais desleais por parte do Brasil exigem atenção e podem gerar novos riscos. Embora Aragão admita que as tarifas podem não influenciar diretamente o eleitor, ele prevê que a questão alterará as estratégias de campanha, sendo a primeira vez que a política internacional se torna um componente tão relevante no debate eleitoral.
"Isso desarruma a narrativa dos candidatos. Ambos os ponteiros das eleições podem ser prejudicados pela questão", finalizou Aragão, reforçando o impacto multidimensional dos eventos geopolíticos no cenário brasileiro.
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