INVESTIMENTO PRIVADO NUCLEAR
Argentina viabiliza construção de novo reator nuclear com capital privado
O governo da Argentina assegurou o aporte de US$ 1,2 bilhão para um novo reator modular em Atucha, visando autonomia energética sem custo direto aos cofres públicos.
O governo da Argentina oficializou, em 10/07/2026, a viabilização de um investimento privado de US$ 1,2 bilhão para a instalação de um novo reator modular no complexo de Atucha, localizado na província de Buenos Aires. A decisão, arquitetada pela gestão de Javier Milei, busca suprir a crescente demanda energética do país através do capital da empresa Meitner Energy, consolidando uma mudança estratégica no financiamento de infraestrutura nuclear em meio a um rigoroso ajuste fiscal.
Conforme detalhado pelo porta-voz presidencial Adrián Ravier, o empreendimento utilizará a tecnologia de reator de água pressurizada (PWR) de Geração III+ (modelo ACR-300). A escolha pelo modelo SMR (pequeno reator modular) de 300 megawatts é central para a estratégia de modernização, com a previsão de gerar aproximadamente 2 mil novos empregos diretos nas fases de obra e operação.
A entrada do capital privado ocorre em um cenário de intensa transformação na Comissão Nacional de Energia Atômica (CNEA). A instituição enfrenta cortes orçamentários de 58% desde dezembro de 2023, o que culminou na recente demissão de servidores e na perda de quadros técnicos, segundo entidades sindicais. A iniciativa foi apresentada ao ministro da Economia, Luis Caputo, e ao secretário de Assuntos Nucleares, Federico Ramos Nápoli, como uma saída sustentável para a manutenção do setor.
Para a sociedade, o impacto reflete a tentativa do governo em dissociar a expansão da capacidade instalada — que hoje engloba as usinas Atucha I, Atucha II e Embalse — da dependência de orçamentos públicos. A Argentina, que ao lado de Brasil e México lidera a produção comercial de energia nuclear na América Latina, aposta na tecnologia modular para viabilizar centros de processamento de dados e novas demandas tecnológicas.
Cabe ressaltar que o projeto ainda deve cumprir etapas de licenciamento regulatório, permanecendo sujeito às normas de controle da CNEA e à capacidade de execução do consórcio privado investidor.
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