IMPACTO NA ECONOMIA
Apostas online impactam consumo e preocupam comércio da Região Serrana
Pesquisa aponta que apostadores estão reduzindo gastos essenciais, afetando diretamente a circulação de renda em cidades como Petrópolis, Teresópolis e Nova Friburgo.
O avanço das apostas online está transformando o comportamento financeiro das famílias e criando um cenário de incerteza para o comércio varejista, conforme revelado em um levantamento divulgado nesta quinta-feira, 09/07/2026. A pesquisa, realizada pela Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) e pelo SPC Brasil, em parceria com a Offerwise, detalha como o desvio de recursos para jogos virtuais tem pressionado a economia local em municípios como Petrópolis, Teresópolis e Nova Friburgo.
Os dados indicam que 39,5 milhões de brasileiros participaram de apostas no último ano. A preocupação central reside na mudança de prioridades orçamentárias: 41% dos apostadores admitem ter cortado o consumo de bens ou serviços para manter o hábito, enquanto 17% deixaram de honrar compromissos financeiros básicos. Além disso, 29% dos entrevistados já tiveram seus nomes inscritos em órgãos de restrição ao crédito.
Para a advogada Ana Lacativa, especialista na indústria de jogos, o fenômeno exige atenção rigorosa, especialmente em regiões onde a economia é sustentada pelo giro financeiro de pequenos e médios negócios. "Quando a renda das famílias é drenada pelas apostas, o comércio local sofre as consequências imediatas. É um ciclo que precisa de monitoramento contínuo para evitar prejuízos ao desenvolvimento regional", alerta.
Desde janeiro de 2025, o mercado de apostas de quota fixa no Brasil opera sob um novo arcabouço regulatório. Empresas licenciadas devem cumprir normas estritas, incluindo a proteção de dados e a proibição do acesso de menores. Dyene Galantini, sócia da Olho na BET, reforça a necessidade de cautela ao escolher plataformas, observando que o domínio ".bet.br" é o principal indicador de uma operadora legalizada e sob fiscalização.
Especialistas recomendam que a população trate as apostas com extrema reserva, evitando o uso de recursos destinados a alimentação, habitação ou contas correntes. A recomendação é clara: jogos não devem ser vistos como investimento ou fonte de renda alternativa. Diante do quadro, entidades setoriais defendem o fortalecimento da fiscalização contra sites clandestinos e a intensificação de programas de educação financeira como medidas essenciais para preservar a dignidade das famílias e a estabilidade econômica local.
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