ALERTA DE SAÚDE
Aposta online durante a Copa do Mundo triplica e preocupa especialistas
Dados da Klavi indicam salto de 11% para 34,8% no número de apostadores. Especialistas pedem rigor na regulação contra o vício em Jogos.
O percentual de brasileiros que realizam apostas em plataformas online saltou de 11% para 34,8% desde o início da Copa do Mundo, conforme levantamento realizado pela fintech Klavi. A rápida expansão deste mercado acende um alerta vermelho entre autoridades de saúde, diante do aumento expressivo de casos de ludopatia — o vício em jogos — que agora impacta a estabilidade emocional e financeira de milhares de famílias em 10 de julho de 2026.
O psiquiatra Marcelo Falchi destaca que a ludopatia é uma dependência comportamental reconhecida oficialmente como transtorno mental. O problema se agrava quando o indivíduo perde a capacidade de escolher quando parar, permitindo que a atividade ocupe todo o seu espectro de interesses diários. Segundo o médico, sinais como o pensamento obsessivo em apostas, a tentativa constante de recuperar perdas financeiras e a irritabilidade ao ser questionado sobre o hábito são indicadores críticos de um quadro de dependência.
Fatores de vulnerabilidade, como traços de impulsividade, Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH), depressão e o uso excessivo de redes sociais, tornam o ambiente das Bets ainda mais perigoso. Falchi ressalta que a influência de personalidades digitais na normalização das apostas, atrelada à facilidade de acesso via celular 24 horas por dia, dificulta a percepção do risco pelos usuários.
O tratamento para o transtorno exige uma abordagem multifacetada, envolvendo psicoterapia, suporte familiar e, em casos específicos, intervenção medicamentosa. Medidas concretas, como a autoexclusão das plataformas e o bloqueio de transações financeiras, tornam-se essenciais para a recuperação. Contudo, o especialista sublinha que o sistema público atual apresenta limitações estruturais frente a este desafio.
“Estamos diante de um risco social e de saúde pública de grandes proporções. O Sistema Único de Saúde (SUS) corre o risco de se tornar a linha de contenção de danos gerados por uma regulação insuficiente”, alerta Falchi. O psiquiatra defende uma revisão política urgente que inclua restrições severas à publicidade em TV e redes sociais, além da responsabilização direta das empresas de apostas que operam no Brasil.
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