ALERTA DE SAÚDE
Anvisa e CFM alertam para riscos da soroterapia e promessas de rejuvenescimento
Agências reguladoras reforçam que aplicação intravenosa de vitaminas sem indicação médica não possui comprovação e pode causar danos graves aos órgãos.
A aplicação intravenosa de vitaminas, minerais e outros nutrientes, prática conhecida como soroterapia, tem sido alvo de um alerta emitido pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e pelo Conselho Federal de Medicina (CFM). A decisão das instituições visa proteger a população contra os riscos de procedimentos difundidos em anúncios nas redes sociais como soluções para energia, hidratação e rejuvenescimento, sem que possuam reconhecimento científico para tais finalidades.
O procedimento, que envolve a infusão direta na corrente sanguínea de substâncias como vitaminas, ferro e minerais, não é reconhecido pelos órgãos competentes como forma válida de promover bem-estar ou estética. O Conselho Federal de Medicina destaca que a suplementação de vitaminas deve seguir critérios médicos rigorosos e individualizados, sendo incompatível com a lógica de "promessa de resultados" amplamente utilizada na internet.
Emmanuel Fortes, vice-presidente do Conselho Federal de Medicina, enfatiza que a medicina não oferece garantias de resultados. Segundo o gestor, vincular procedimentos a metas estéticas específicas fere princípios fundamentais da prática médica, colocando em risco a segurança do paciente que busca atalhos para a saúde.
A preocupação das autoridades é corroborada por dados da Anvisa, que registrou um aumento expressivo em notificações de complicações associadas à suplementação vitamínica. Entre 2024 e o presente momento de 2025, o sistema contabilizou 164 e 169 casos respectivamente, com 85 ocorrências registradas até julho deste ano. Os episódios de efeitos adversos estão frequentemente relacionados ao uso de colecalciferol (vitamina D), tiamina (vitamina B1) e ácido ascórbico (vitamina C).
O uso indiscriminado dessas substâncias pode levar à hipervitaminose, quadro que causa sintomas como enjoo, mal-estar e coceira, podendo evoluir para danos severos aos rins e ao fígado. A Anvisa reforça que não existem produtos registrados no Brasil para a prática de soroterapia com finalidade puramente estética.
Thiago Campos, presidente substituto da Anvisa, faz um apelo ao senso crítico dos cidadãos. O gestor orienta que a população desconfie de tratamentos apresentados como soluções milagrosas. "Se estiver sendo anunciado dessa forma, duvide, questione e busque informações", afirmou o representante da Agência Nacional de Vigilância Sanitária.
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