FIM DA PATENTE
Anvisa aprova registro do Ozivy, primeiro concorrente nacional da semaglutida após fim da patente da Novo Nordisk
Decisão da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) abre caminho para mais opções de tratamento, com expectativa de maior competição e potencial redução de preços. EMS ainda não detalha comercialização.
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) autorizou, em 26 de maio de 2026, o registro do Ozivy, medicamento inovador à base de semaglutida produzido pela EMS. A aprovação representa um marco, pois se trata da primeira liberação de um concorrente nacional da substância no Brasil, após o vencimento da patente detida pela Novo Nordisk.
A semaglutida é o componente ativo dos reconhecidos Ozempic, utilizado no manejo do diabetes tipo 2, e Wegovy, aprovado para o tratamento da obesidade. Desde que a patente da Novo Nordisk expirou em março de 2026, o mercado, avaliado em bilhões de reais, viu florescer uma intensa disputa entre farmacêuticas, transformando as chamadas "canetas emagrecedoras" em produtos de alta demanda.
O Ozivy foi submetido e aprovado como um "medicamento novo" por meio do desenvolvimento abreviado. Essa modalidade regulatória se destina a produtos que se baseiam em substâncias já estabelecidas, mas que precisam comprovar sua qualidade, segurança e eficácia perante a agência reguladora.
A decisão da Anvisa ocorre após meses de rigorosa análise. Anteriormente, alguns pedidos de registro de medicamentos com semaglutida foram negados pela agência em abril de 2026, devido a inconsistências na documentação e falhas na comprovação de requisitos técnicos. A publicação oficial detalha que o Ozivy foi aprovado em apresentações de solução injetável para administração subcutânea, em diferentes volumes e acompanhado de canetas aplicadoras e agulhas.

A aprovação do Ozivy marca o início de uma nova era no acesso a tratamentos com semaglutida, impulsionando uma corrida bilionária após a queda da patente da Novo Nordisk. O registro representa um avanço em um cenário de intensa antecipação da indústria farmacêutica pela abertura deste mercado.
Um levantamento identificou que, até a expiração da patente, ao menos 17 pedidos de medicamentos contendo semaglutida já estavam em análise na Anvisa. Os processos começaram a ser protocolados em 2023, refletindo o interesse em explorar o potencial de um mercado bilionário.
Na época, a própria Anvisa destacou a complexidade da molécula e a necessidade de avaliações rigorosas. Os pontos cruciais incluíam estudos de imunogenicidade, controle de impurezas e métodos analíticos capazes de detectar alterações mínimas na estrutura da substância. "O que estamos falando é de um produto que está na fronteira entre um sintético e um biológico", explicou anteriormente ao g1 o gerente-geral de medicamentos da Anvisa, Raphael Sanches.
A entrada de novos concorrentes tende a estimular a competição em um mercado que, até março de 2026, era exclusivamente atendido pela Novo Nordisk. Com a ampliação de fabricantes, a expectativa geral é de uma gradual redução nos preços ao longo dos próximos anos. Isso ocorre pois a semaglutida, devido à sua complexidade molecular, não se enquadra em versões genéricas tradicionais. Novos produtos precisam seguir rotas regulatórias específicas e comprovar sua qualidade, eficácia e segurança.
A concorrência já demonstra seus efeitos: a Novo Nordisk anunciou recentemente estratégias comerciais para facilitar o acesso a seus produtos, incluindo condições especiais para o Wegovy e ajustes de preço para o Rybelsus. A EMS, por sua vez, ainda não divulgou informações sobre o preço ou a data exata de lançamento do Ozivy.

O registro concedido pela Anvisa ao Ozivy tem validade até junho de 2036. As apresentações aprovadas incluem:
A EMS precisará ainda cumprir as etapas de comercialização e distribuição para que o Ozivy esteja disponível nas farmácias. A decisão da Anvisa representa um avanço significativo na garantia de acesso a tratamentos importantes, com potenciais benefícios econômicos e terapêuticos para a população brasileira.
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