MERCADO DE GÁS

ANP avalia regras de acesso a gasodutos em meio à disputa com Petrobras

Tubulações industriais de gás natural em operação no Brasil.
Estrutura de gasodutos no Brasil é alvo de disputa regulatória entre Petrobras e setor industrial.

Diretoria da ANP decide nesta sexta-feira, 10/07/2026, sobre abertura de consulta pública para regular uso de infraestruturas essenciais da Petrobras.

A diretoria da ANP (Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis) decide nesta sexta-feira, 10/07/2026, se dará início a uma consulta e audiência pública para estabelecer critérios de acesso não discriminatório aos gasodutos e plantas de processamento de gás natural no Brasil. A medida busca resolver impasses sobre custos e regras de utilização de ativos que impactam diretamente a competitividade do setor industrial e a exploração do pré-sal.

O cerne da discussão recai sobre o equilíbrio financeiro da cadeia produtiva. Atualmente, a ausência de parâmetros econômicos claros permite que operadores das infraestruturas — majoritariamente a Petrobras — ditem as condições de negociação. Para a sociedade e os grandes consumidores, a decisão é fundamental, pois o custo do acesso aos gasodutos é repassado ao preço final do produto, influenciando a economia real e a entrada de novos agentes no mercado.

O processo, que sofreu atrasos após um pedido de vista do diretor-geral da ANP, Artur Watt, reflete uma tensão latente. De um lado, a Petrobras defende que os investimentos bilionários em infraestrutura devem ser remunerados via negociações comerciais, conforme prevê a Lei do Gás. De outro, o MME (Ministério de Minas e Energia) e a PPSA argumentam que a falta de regulação clara favorece práticas que inibem a livre concorrência, prejudicando o escoamento do gás da União.

A pressão por uma definição aumentou com a manifestação do Fórum do Gás e a recente representação da Abvidro (Associação Brasileira das Indústrias de Vidro) no Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica). Enquanto a indústria aponta abusos na posição dominante da estatal, órgãos de controle, como o TCU (Tribunal de Contas da União) por meio do Acórdão nº 727/2026, acompanham de perto a necessidade de destravar o acesso a esses ativos para garantir que o mercado brasileiro se torne mais dinâmico.

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