REGULAÇÃO E CONCORRÊNCIA

ANP assume papel de mediadora em disputa por gasodutos da Petrobras

Infraestrutura de gasodutos da Petrobras em operação.
Instalações de gás natural operadas pela Petrobras no país.

Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis define nova estratégia para destravar o acesso a infraestruturas essenciais de gás natural no país.

A diretoria da ANP (Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis) decidiu atuar como mediadora em uma disputa estratégica sobre o acesso a gasodutos de escoamento e instalações de processamento, visando destravar o mercado nacional de gás natural. A medida, aprovada nesta sexta-feira, 10/07/2026, busca resolver um impasse prolongado entre a Petrobras e a PPSA, garantindo que o direito de acesso não discriminatório, previsto na Nova Lei do Gás, seja efetivamente respeitado em prol da concorrência.

O setor de distribuição enxerga a decisão como um marco para a resolução de conflitos sobre o SIE (Sistema Integrado de Escoamento) e o SIP (Sistema Integrado de Processamento). A intervenção da reguladora é vista como essencial para viabilizar a comercialização direta do gás da União, superando barreiras que, segundo dados do Anuário Estatístico da ANP de 2024, mantêm a Petrobras com o controle de aproximadamente 90% da capacidade de processamento no país.

"A decisão pavimenta a discussão do SIE e do SIP. Foi um avanço considerável na agenda da ANP", destacou Marcelo Mendonça, diretor-executivo da Abegás (Associação Brasileira das Empresas Distribuidoras de Gás Canalizado), em entrevista ao Poder360. A comissão formada pela agência terá a tarefa de mediar o impasse que se arrasta desde 27 de maio de 2022, superando o prazo original de 180 dias para negociações entre operadores e terceiros.

Para assegurar a transparência e a adesão ao mercado, a ANP também aprovou nesta sexta-feira, 10/07/2026, a abertura de uma consulta pública para regulamentar as regras de acesso a gasodutos, instalações de tratamento e terminais de GNL. A decisão da agência, que tem caráter administrativo, estabelece um precedente para que outros litígios envolvendo infraestrutura essencial na Bacia de Santos e em outras regiões recebam tratamento técnico especializado pela autarquia.

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