MERCADO DE ENERGIA

ANP aprova consulta para abrir infraestrutura de gás natural a terceiros

Infraestrutura de gasodutos e unidades de processamento de gás natural.
Instalações de processamento de gás natural sob regulamentação da ANP.

Agência reguladora permite que empresas acessem estruturas controladas por petroleiras. Decisão visa reduzir custos ao consumidor final.

A diretoria colegiada da ANP (Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis) decidiu abrir uma consulta pública de 45 dias para regulamentar o acesso não discriminatório de terceiros a infraestruturas de gás natural, em deliberação finalizada nesta sexta-feira, 10/07/2026. A medida, que ainda passará pelo rito de contribuições, visa fomentar a competitividade ao permitir que empresas utilizem gasodutos de escoamento e unidades de processamento atualmente sob controle majoritário de petroleiras como Petrobras, Shell, Repsol e Galp.

A decisão é um passo fundamental para destravar o mercado brasileiro, que enfrenta gargalos logísticos desde a sanção da Nova Lei do Gás em 2021. O movimento responde a uma demanda antiga de agentes do setor, que apontam a concentração de ativos como um fator que encarece o produto final, dado que etapas de escoamento e processamento representam, segundo o MME (Ministério de Minas e Energia), 46% do preço pago pelo consumidor.

Durante a sessão, o diretor-geral Artur Watt, que havia pedido vista em 29 de maio de 2026, acompanhou o voto favorável dos demais diretores. Watt ressaltou a necessidade de cautela ao definir preços de referência e previu a importância de um período de transição para garantir que a mudança regulatória ocorra de forma equilibrada entre os agentes do mercado.

O impacto prático da medida afeta diretamente a soberania energética e o custo de vida das famílias brasileiras. Conforme dados do Anuário Estatístico da ANP, a Petrobras detinha 90% da capacidade nacional de processamento em 2024, o que forçava novos produtores a negociar sob condições restritas. Com as novas regras, a expectativa é democratizar o uso das UPGNs e dos gasodutos, quebrando barreiras que, na prática, impediam a entrada de novos ofertantes no sistema.

A proposta em consulta estabelece o fim do direito de preferência para proprietários de estruturas 30 anos após o início da operação dos ativos. Além disso, contratos vigentes poderão ser submetidos a revisões para garantir a conformidade com o novo regime de transparência e tarifas, visando um mercado de gás mais dinâmico e menos dependente de negociações bilaterais desiguais.

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