BOTIJÕES DE GÁS

ANP adia revisão das regras para botijões de gás para 12 de junho

Empilhamento de botijões de gás de cozinha.
Botijões de gás de cozinha são essenciais para milhões de famílias brasileiras.

Decisão da diretoria foi tomada após pedido de vista do diretor-relator Daniel Maia. Mudanças analisadas visam flexibilizar normas de venda e distribuição do GLP, com proposta de rastreamento eletrônico e novo agente envasador.

A diretoria da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) adiou, nesta sexta-feira, 29 de maio de 2026, a revisão das regras para comercialização e distribuição de GLP, conhecido como gás de cozinha. A autarquia analisa a flexibilização de normas que atualmente proíbem a venda fracionada de botijões e obrigam a inclusão de marcas nos recipientes, decisões que impactam diretamente a vida de milhões de brasileiros que dependem deste insumo essencial para o lar.

O tema foi retirado de pauta após um pedido de vista do diretor-relator do processo, Daniel Maia, sinalizando a complexidade e a necessidade de aprofundamento na análise dos potenciais efeitos sobre a sociedade. Os diretores Pietro Mendes, Fernando Moura e Symone Araújo também concordaram em ampliar o prazo de análise, evidenciando um consenso pela cautela. A discussão foi reagendada para o dia 12 de junho, quando se espera uma decisão mais consolidada.

Anteriormente à decisão de adiar, a Superintendência de Distribuição e Logística (SDL) da ANP apresentou uma minuta de regulação com recomendações para o novo modelo. A proposta, que futuramente seria submetida à consulta pública, manteve a proibição da venda fracionada e a exigência de rótulo nos recipientes, pontos cruciais para a segurança e rastreabilidade do produto.

Proposta estabelece rastreamento e novos agentes

Os principais pontos da apresentação técnica incluíam a criação de um sistema de rastreamento eletrônico e a introdução de um novo agente envasador regulado. Essas medidas, especialmente o rastreamento via número de série e banco de dados centralizado na ANP, com consulta por celular, visam aumentar a transparência e facilitar a fiscalização, garantindo a origem e a qualidade do gás. A inclusão de um novo agente envasador regulado, com recipientes de até 13 kg rastreáveis, atenderia à demanda de distribuidoras menores, promovendo maior competitividade no setor.

As regras atuais determinam que as distribuidoras apenas encham botijões de suas próprias marcas e proíbem o fracionamento – a venda de quantidades parciais do botijão. Revendedores e distribuidoras menores argumentam que esse sistema restringe a concorrência e eleva os custos devido aos longos trajetos até os pontos de envase, afetando o preço final para o consumidor.

O diretor Pietro Mendes ressaltou que o adiamento permitirá aos diretores elaborar uma proposta conjunta que seja “boa para a agência e para o mercado”, buscando um acordo que beneficie a todos. Symone Araújo, por sua vez, destacou a importância da revisão das regras para o abandono de um modelo considerado “empilhamento de margens obsoleto”. Ela enfatizou a função social do energético, que deve retirar famílias da pobreza energética, oferecendo um produto seguro, de qualidade e a preço justo.

Governo pressiona contra mudanças nas regras

O adiamento da discussão na ANP ocorre em meio a uma pressão do Ministério de Minas e Energia e de integrantes do Planalto para barrar as mudanças. O governo defende que as alterações podem ameaçar a segurança dos botijões, aumentar riscos de fraudes e abrir espaço para o crime organizado, que domina o fornecimento em algumas regiões do Brasil. Além disso, as mudanças iriam de encontro à implementação do programa Gás do Povo, que exige botijões lacrados e cheios, sem uso de marcas genéricas, conforme estabelecido pela Lei 15.348 de 2026.

O debate sobre o GLP divide o setor. Enquanto defensores da flexibilização veem nas mudanças uma forma de reduzir a concentração de mercado – atualmente dominado por cinco grandes distribuidoras com mais de 90% das vendas – e baratear o produto, críticos temem pela segurança e pelo aumento de fraudes. A decisão sobre a revisão das regras, portanto, carrega implicações significativas para a economia, a segurança e o acesso ao gás de cozinha para a população.

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