RIQUEZA POTIGUAR
ANM libera pesquisa de tungstênio em Angicos, RN
Empresa de capital chinês investe na extração de scheelita, metal valioso para o mercado global, prometendo novo ciclo de desenvolvimento regional.
A Agência Nacional de Mineração (ANM) liberou o alvará de pesquisa para a Amason Resource Group do Brasil Ltda., uma empresa de capital chinês, iniciar estudos de viabilidade para exploração de scheelita em Angicos, Rio Grande do Norte. A decisão, reportada nesta quarta-feira, 29 de abril de 2026, marca um passo crucial para o potencial retorno do estado ao cenário da mineração global, prometendo transformar a economia local e gerar novas oportunidades para a população da região Central.
Este movimento posiciona o município de Angicos, na região Central do Rio Grande do Norte, como um novo protagonista da mineração estadual. A scheelita, minério de onde se extrai o tungstênio, é um metal altamente valorizado no mercado internacional devido às suas propriedades únicas.
Os pedidos de pesquisa feitos pela empresa abrangem áreas estratégicas como o Sítio Bom Fim e as fazendas Arizona, Patachoca e Santa Clara. O objetivo principal desta fase é realizar levantamentos geológicos detalhados e testes técnicos para avaliar o real potencial econômico das jazidas antes que qualquer atividade de exploração comercial seja iniciada.
O interesse por Angicos não é meramente acidental. O tungstênio possui o maior ponto de fusão entre todos os metais e demonstra extrema resistência, tornando-o indispensável em diversas aplicações de alta tecnologia, como:
- Fabricação de filamentos de lâmpadas incandescentes;
- Produção de ligas metálicas super-resistentes, usadas em ferramentas de corte e perfuração;
- Componentes eletrônicos e aeroespaciais;
- Equipamentos militares de alta performance.
Atualmente, a China detém uma posição dominante na produção mundial de tungstênio e tem implementado restrições às exportações. Essa política global impulsiona a busca por reservas alternativas em países com histórico mineral reconhecido, como o Brasil, que possui condições geológicas favoráveis e expertise no setor.
O Rio Grande do Norte, em especial a região do Seridó, já vivenciou um "ciclo de ouro" da scheelita entre as décadas de 1940 e 1980. Cidades como Currais Novos floresceram economicamente nesse período, mas o setor enfrentou um colapso quando a produção chinesa inundou o mercado, oferecendo o mineral a preços significativamente mais baixos, tornando a exploração local inviável.
Agora, a conjuntura é diferente: a alta demanda global, os preços atrativos do tungstênio e a evolução das técnicas de prospecção e extração recolocam o RN no radar da mineração. Embora o avanço para a exploração em larga escala dependa da obtenção de licenças ambientais adicionais, a concessão do alvará de pesquisa pela ANM é um sinal promissor.
Para o estado e, principalmente, para os moradores da região de Angicos, a reativação desse setor significa um futuro com:
- Geração de empregos diretos e indiretos, oferecendo dignidade e sustento para famílias;
- Aumento da arrecadação de impostos, que pode ser revertida em melhorias para a infraestrutura e serviços públicos;
- Atração de novas tecnologias e investimentos para a região, impulsionando o desenvolvimento socioeconômico;
- Movimentação da cadeia produtiva local, beneficiando comerciantes e prestadores de serviços.
A expectativa é que, com a continuidade dos estudos e a aprovação das fases seguintes, Angicos possa, de fato, reassumir seu papel no cenário mineral brasileiro e internacional.
Classificação Indicativa: Livre
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